São Pio X e a infiltração dos modernistas na Igreja – Plinio Corrêa de Oliveira

 

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1-05-1989 CCEE

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2020/07/01/sao-pio-x-e-a-infiltracao-dos-modernistas-na-igreja-plinio-correa-de-oliveira

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Santa Bibiana, rogai por nós!

*********

[leitura de diversas perguntas]

(…) Porque convém tomar os assuntos mais difíceis, e tratar deles diretamente.

O que é que nós devemos pensar, antes de tudo, o que é que nós devemos pensar a respeito da crise da Igreja? O que é que vem a ser esta crise que está na Igreja; aonde ela conduz, etc., etc.

A crise na Igreja consiste no seguinte. Foi Papa da Igreja Católica, São Pio X, no ano mais ou menos de 1902 ou 1903 (não me lembro bem o ano em que começou o pontificado dele – 9 de agosto de 1903), até o ano de 1914 (20 de agosto de 1914), em que ele morreu misteriosamente. Arrebentou a 1ª Guerra Mundial, e pouco depois, misteriosamente, morria o Papa São Pio X.

Um Papa que um jornalista francês, não católico, um jornalista desses jornais que andam por aí, qualificou muito bem que quem ia ao Vaticano e o encontrava, estava com ele, tinha a impressão de estar diante do anjo que a Escritura descreve como estando do lado de fora do paraíso, com uma espada feita de fogo, à espera de quem quisesse varar lá, para cortar!

Realmente, ele era uma figura angélica! Um homem de alta estatura, muito forte, daqueles italianos do norte, da região do Veneto, com muita personalidade, e sobretudo no todo da pureza, da firmeza de princípios, da renúncia completa a si mesmo, que caracteriza o verdadeiro santo da Igreja Católica!

Esse Papa baixou, a certa altura do pontificado dele – que, como eu disse, foi de 2 ou 3 a 14, e portanto mais ou menos uns 12 anos – lá por 1910, se não me trai a memória, ele baixou uma Encíclica que deixou todo mundo pasmo: Pascendi Dominici Gregis (de 8 de setembro de 1907, n.d.c.). A Encíclica tinha o título: “Apascentando o rebanho do Senhor”. O Senhor é Nosso Senhor Jesus Cristo, evidentemente; o rebanho é a Santa Igreja Católica.

“Apascentando o rebanho do Senhor”, eram as palavras com que ele começava a Encíclica. Toda Encíclica tem por designação as primeiras palavras com que começa. Então, essa ficou a famosa Encíclica Pascendi Dominici Gregis.

Ele, nessa Encíclica, desenvolveu uma concepção, uma teoria e uma descrição do estado em que estava a Igreja no tempo dele. E, depois, ele ainda escreveu uma carta intitulada Carta apostólica “Notre Charge Apostolique” (Nosso encargo apostólico, de 25 de agosto de 1910)”.

É hábito da Santa Sé, quando se dirige aos bispos de várias nações, escrever em latim. E quando se dirige aos bispos de uma só nação, por amabilidade paterna, dirigir-se no idioma dessa nação. A Encíclica Notre Charge Apostolique era dirigida ao Episcopado francês. E, portanto, era escrita em francês. E as palavras com que começava eram: “Nosso encargo apostólico”.

Essa Encíclica completava, mais ou menos, a Encíclica Pascendi Dominici Gregis, e dava um quadro da situação da Igreja, naqueles tempos tão remotos de hoje em dia. Nós estamos, afinal de contas, no fim da penúltima década do nosso século. Ele estava de cheio na segunda década em que o século começa: na segunda década do começo, e nós estamos na segunda década que precede ao fim. Essas eram as duas datas em que saíam essas encíclicas, e a diferença conosco. É perto de um século, são 80 anos mais ou menos de diferença.

Entretanto, se nós lermos a Encíclica Pascendi Dominici Gregis, sobretudo, mas também a Notre Charge Apostolique, nós nos daremos conta de que ele descreve uma situação muito parecida com a situação de hoje, vai até o fundo dessa situação. E nada é mais útil para conhecer a situação de hoje, do que ler essas encíclicas. Um dia em que houver tempo, e em que se possa fazer isso, nós poderíamos arranjar essas encíclicas em português, distribuir mimeografadas, e pôr os principais trechos. Então, fazer o comentário com os Srs. dos principais trechos dessas encíclicas, para os Srs. verem a semelhança entre uma coisa e outra.

O que é que afirma São Pio X na Encíclica Notre Charge Apostolique? Eu não me lembro, evidentemente, das palavras da Encíclica, nem me lembro de cada pensamento da Encíclica. Eu me lembro do vulto geral do pensamento da Encíclica. E é isso que eu vou dar aqui aos Srs.

Ele diz que a Igreja Católica se encontrava naquele tempo imersa num mundo que tinha um pensamento oposto ao dela. Era um mundo revolucionário, um mundo com as idéias provenientes – mais ou menos o que está na RCR [Revolução e Contra-Revolução] – provenientes do protestantismo, da Revolução Francesa, etc., que se chocavam com a concepção que a Igreja tinha do mundo, e de como deve ser organizada a civilização cristã.

* Uma pan-religião de um deus inexistente

Mas, também se chocavam contra a doutrina que a Igreja ensina de si mesma. E que se tratava de uma organização colossal de hereges, que estava espalhada pelo mundo inteiro, e que tinha uma organização clandestina, uma organização escondida. E que ficaria escondida até que eles fossem bastante fortes para meter a cabeça fora d’água, e começar a proclamar as suas heresias claro. E que era uma verdadeira conjuração dentro da Igreja Católica.

No que consistia a doutrina dessa gente?

A doutrina dessa gente consistia em afirmar que Deus não é uma Pessoa. Deus é uma força que existe na natureza, e que se confunde com a própria natureza. O que equivale a dizer que não há Deus, porque se Deus não é uma Pessoa, não há Deus. Há uma causa das coisas, mas uma causa que não pensa, uma causa que não reflete, uma causa que é um impulso ou é um instinto. Isso não é um homem, não é um ser dotado de inteligência, não é Deus!

Portanto, no fundo, panteístas. Quer dizer, os que acham que Deus é uma coisa que não se distingue do universo, mas que está misturado no universo, como por exemplo a vida existe nas plantas, nos animais, nos homens. Mas Deus não é a vida que existe em todo mundo, nem a vida que existe em cada um é igual à vida que existe no outro. Isso é uma mentirada para velar o ateísmo.

Bem, e que a Igreja Católica, toda a doutrina da Igreja Católica era interpretada errada, era a interpretação errada da Escritura e, portanto, também do Evangelho. Que bem interpretados, nós chegávamos à conclusão de que o mundo precisava passar por uma reforma completa; que era preciso acabar com os cultos antigos a Nosso Senhor Jesus Cristo, ao Padre Eterno, ao Divino Espírito Santo, a Nossa Senhora, aos santos, aos anjos. Porque no fundo, Deus sendo uma força, existe em todas as religiões; e que todas as religiões se equivalem: podem se misturar umas com as outras que dão todas na mesma. E que tanto faz o indivíduo ser protestante como católico, como greco-cismático, como budista, como tauísta, como qualquer outra coisa. Tanto faz, porque no fundo, apalpando bem, as religiões são a mesma religião.

* Na surdina ia desenvolvendo-se a pior das heresias, injetada nas próprias veias da Igreja, e querendo destruí-La de dentro para fora

E que esta única religião deveria aos poucos ir corroendo por dentro todas as religiões, e transformar-se numa só religião, que era uma religião inteiramente nova. Uma religião com uma moral muito evoluída, em que os preceitos morais seriam muito mais fáceis de cumprir, muito mais agradáveis: era a imoralidade transformada em moral.

E que, por outro lado, a igualdade completa entre os homens acabaria com toda a hierarquia. As diferenças de fortuna, de inteligência, de posição social, de talento, tudo isso devia acabar. Todos os homens deveriam ser completamente iguais aos outros. E nós teríamos assim um mundo futuro, que era o mundo novo de uma religião nova, formando uma República Universal. Isso seria o mundo para o qual se devia caminhar.

Mas, eles adotavam uma técnica. Eles diziam – diz São Pio X – que se eles fossem declarar isso de um modo ostensivo para todos, isso provocaria, evidentemente, uma revolta. E que esta revolta era nociva a eles. Então, eles deveriam proclamar isto, e ensinar isto, só para as pessoas que eles percebessem que iam facilmente no conto. Os outros, não. Eles deveriam ir aos poucos apresentando figuras deformadas da Igreja Católica; cada vez menos parecida com a doutrina tradicional, e mais parecida com a doutrina nova. E que os principais artífices disso tinham que ser os próprios padres!

Os padres ganhos por essa religião nova, deveriam continuar exercendo o sacerdócio na religião antiga. E aproveitando o prestígio deles de sacerdotes para ensinar essas coisas erradas. E, com essa forma, haveria um determinado momento em que a Igreja estaria toda ela transformada.

Eles falavam – São Pio X não era tão claro a esse respeito, mas há qualquer coisa assim – num grande concílio que então proclamaria a religião nova. E estaria acabada a Igreja Católica. Está pronto.

Isso formava uma sociedade secreta, que tinha por obrigação manter em segredo entre os seus membros essa doutrina. E formar uma ajuda mútua de tal maneira que, quando um dessa sociedade escrevesse um livro, todos pusessem nos cornos da lua: “Que livro extraordinário! Que livro magnífico!” Porque o livro favorecia a doutrina. Quando, pelo contrário, um outro escrevesse um livro contra essa doutrina, eles fingiam que não tinha lido: “Que livro? Não sei… não teve repercussão! Eu não sei disso. Quem é esse autor? Nunca ouvi falar dele! Não sei… Não existe!”

E nos jornais e nas revistas dirigidas por eles, eles deveriam fazer o silêncio sobre o bem; o silêncio sobre os ataques contra eles. E apenas falar, falar, falar, de um modo velado, mas de um modo cada vez menos velado, falar da doutrina nova, da religião nova.

São Pio X disse que esta era a pior heresia de todos os séculos! A pior heresia! E acrescentou que era a pior heresia, porque o mal não estava do lado de fora da Igreja, procurando entrar, como no tempo de Lutero. Lutero rompeu com a Igreja, saiu da Igreja, e de fora para dentro procurou atacá-la. Diz ele: “Não. O mal é um veneno que se injetou nas próprias veias da Igreja, e quer destruí-la de dentro para fora!”

* A energia de São Pio X contra os propagadores da “nova doutrina”

E por causa disso ele excomungou uma série de autores e seguidores dessa doutrina, a que ele deu o nome de “Modernismo”, autores dos quais alguns padres, e alguns até padres famosos. Talvez o mais famoso dele fosse Bonaiutti. Professor da Universidade de Roma, famoso pela sua cultura, pela sua instrução, homem muito alto, com uma grande barba preta, vestindo sempre batina e chapéu eclesiástico, etc. Mas, propagando na cátedra da Universidade de Roma, no púlpito quando ele falava, nos confessionários quando ele atendia confissão, propagando essa doutrina falsa.

Bem, então São Pio X a vários desses ele excomungou. Quer dizer, expulsou da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana. E com uma excomunhão tão tremenda, que se chama excomunhão vitando. Quer dizer, ele deve ser evitado. Vitando em latim quer dizer isso. Quer dizer, quem andando pela rua o visse vindo na mesma calçada, se o conhecesse, tinha obrigação de mudar de calçada, antes de passar perto dele. Para indicar que ele, pela heresia dele, era tido em horror pelos homens.

Esse Bonaiutti foi excomungado, continuou a lecionar na Universidade de Roma, e continuou a usar batina e chapéu de sacerdote, e continuou a pregar seus erros até morrer. Mas, São Pio X cortou em dois a Igreja nesse ponto, pegando essa parte podre e excomungando, como um cirurgião de valor pega um membro gangrenado e corta, para que todo o corpo não se deixe tomar pela gangrena. Foi de uma energia como poucas vezes se tem visto na história da Igreja.

Acontece que isto foi como um raio no mundo inteiro! Tanto mais que São Pio X estabeleceu um decreto pelo qual cada padre que fosse nomeado para um cargo, deveria fazer um juramento antimodernista. E nesse cargo combater o Modernismo. De maneira que cada padre fazia vários juramentos assim na vida, e com as mãos sobre os Santos Evangelhos. Eu vi padres fazerem juramento antimodernista. E assim, apertava pela consciência dos padres a mais não poder.

* A misteriosa morte de São Pio X

Mas, São Pio X uma noite deitou-se bem. E o Cardeal Merry del Val, que era seu Secretário de Estado, conta isto assim. Trabalharam juntos até tarde. Ele se despediu de São Pio X e foi para a casa dele. E de manhã, bem cedo, ele foi acordado com o aviso de que o Papa estava muito mal.

Ele vestiu-se depressa e foi ao Vaticano. Chegando ao quarto de São Pio X, ele encontrou São Pio X atacado por uma doença, mudo. E fez um sinal a ele de que queria escrever alguma coisa. Ele arranjou, papel, lápis. São Pio X tentou escrever essa coisa, mas não conseguiu escrever uma letra. A mão caiu, e ele fez assim, como quem diz: “Não posso fazer nada”.

O Cardeal Merry del Val diz: Só no dia do Juízo Final – nas “Memórias” estava isso – se saberá naquela noite o que se passou no Vaticano. Como é que o Papa, que se deitou saudável amanheceu assim?

* Durante anos o espraiar-se da pior heresia de todos os tempos

O fato é que pouco depois o Papa morreu. E vieram outros papas. E esses outros papas foram muito menos atentos ao perigo. E o resultado é que durante o pontificado do Papa Pio XI, o problema renasceu. E então, os Srs. têm que de 1912, mais ou menos, a 39 – portanto, 27 anos mais ou menos – durante esse período essa heresia ficou por debaixo da terra. Mas, cavando, se espraiando.

E no começo do pontificado de Pio XII (Pio XI acabou em 39, mais ou menos), a coisa se dilatou muito. E daí vem a crise que é a atual crise da Igreja. E é essa mesma heresia, que nunca deixou de existir, que existiu subterrânea, e que de repente aflorou de novo, porque julgou, e julgou acertadamente, que tinha conseguido condições favoráveis. Então, começou a degringolada da Igreja, já a partir de certo momento do pontificado de Pio XII.

Depois, João XXIII e os papas sucessivos até nossos dias, têm tido esta crise na Igreja.

Então, eu mostro aos Srs. que nossa situação presente é de um revigoramento, ou, se os Srs. quiserem, de um renascimento desta terrível heresia que um Papa elevado por Pio XII à honra dos altares – São Pio X – declarou a pior heresia de todos os tempos; a súmula de todas as heresias de todos os tempos. Ou seja, o modernismo.

Esse modernismo se chama hoje em dia “progressismo”. Mas, é a mesma coisa. Teologia da Libertação, etc., etc., tudo isso, CEBs, etc., são ramos do progressismo. O qual, por sua vez, é o modernismo com nome mudado. Mas, tudo isso é um só veio.

* As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja!

Esta descrição leva os Srs. a verem que nós temos dentro da Igreja, que é uma organização una, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, e com a missão de ensinar até o fim do mundo, e contra a qual as portas do inferno não haveriam de prevalecer – “as portas do inferno” é um modo meio literário, meio figurado, do gosto dos orientais (Nosso Senhor nasceu no Oriente e falava a orientais), para falar as forças do inferno! “Não haveriam de prevalecer”, quer dizer, não haveriam de vencer.

Quando Ele fundou a Igreja, Ele designou São Pedro como primeiro Papa, com essas palavras: “Pedro, tu és pedra. E sobre essa pedra Eu edificarei a minha Igreja. E as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

Quer dizer, “Pedro, tu és pedra”, quer dizer, tu és o rochedo, a Santa Sé é o rochedo sobre o qual estaria construída a Igreja; e as portas do inferno não venceriam a Igreja. Quer dizer, todo o esforço que o inferno fizesse contra a Igreja, não seria suficiente para vencê-la. Essa era a promessa que fica valendo até o fim dos tempos.

Então, nós temos que a pior das heresias contra a Igreja nasceu no século XX, e está corroendo a Igreja quase até o fim do século XX. Esta é a realidade que nós temos diante de nós. E esta realidade faz com que nós estejamos no auge de uma crise, que São Pio X quis atalhar, mas tendo morrido misteriosamente, não conseguiu atalhar. Esta é a realidade.

 

S. Pio X e Pio IX contra as intenções maçônicas x diálogo no pós-concílio – Dr. Plinio Corrêa (1972)

26-I-1972 SEFAC

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Santa Bibiana, rogai por nós!

 

E o mundo se dividiu, com uma enorme brecha de alto a baixo, em duas porções desiguais. De um lado, os católicos que continuavam católicos apesar de todas essa investida; e, de outro lado, a fúria satânica dos laicistas que promoviam, contra a Igreja, perseguições incessantes.

Esta luta, esta divisão, foi recebida pelos Papas que governaram a Igreja desde 1789 até 1920, pouco mais ou menos, quando essa perseguição começou a amainar – foi recebida por eles com uma serenidade e com uma energia admirável.

Em vez de se amedrontarem com o perigo que crescia, em vez de procurarem obter – por meio de concessões – o aplauso dos adversários, eles procederam de um princípio profundamente radicado na Sagrada Escritura; um princípio, portanto, altamente teológico, que é o seguinte:

O filho das trevas, enquanto filho das trevas, jamais aplaude o que faz o filho da luz – ainda que ele construa as mais magníficas igrejas, ainda que ele tenha a liturgia mais resplandecente; ainda que, no âmbito católico, tenham brilhado os doutores mais extraordinários; ainda que a Igreja tenha inspirado os artistas mais prodigiosos; ainda que ele tenha atrás de si a história mais prestigiosa – o filho das trevas é cego para ver isso; não há argumento que seja capaz de lhe convencer o espírito mal intencionado, não há perfeição que seja capaz de o tocar e comover.

Não há, portanto, razões para se lhe fazerem concessões. A Igreja deve responder a esta ofensiva com dois recursos: a polêmica, defendendo-se e acusando. E um número enorme de polemistas – eclesiásticos e leigos – surgiu pela Europa e também pela América do Sul, defendendo por toda parte a Igreja Católica.

Fora das horas da polêmica, para o adversário NA-NE: não aprendemos nada de vós, não esquecemos nada do que é vossa vergonha; em relação a vós, absoluta ignorância; nossa vida continua absolutamente como ela é. Apesar do debique, apesar da gargalhada, apesar da má interpretação, as ordens religiosas continuaram na sua vida; a liturgia continuou com seu esplendor; o Papado continuou com sua pompa; a vida na Igreja continuou absolutamente como era: desenrolando-se majestosamente, pacificamente, soberanamente, sem dar importância ao rugido dos adversários.

Característica é a invasão de Roma pelos garibaldinos de 1870. O Papa era o rei de Roma. As tropas de Garibaldi entraram em Roma para anexá-la ao reino laicíssimo e maçonicíssimo dos Saboias. O Papa Pio IX se recolheu ao Vaticano. No Vaticano, ele continuou a levar, naquele minúsculo território, a vida de um grande pontífice: ele continuou a ter embaixadores, ele continuou a dar audiências; a Secretaria de Estado continuou a funcionar do mesmo jeito; a sua corte pontifícia continuou a ser a mesma como era, como se Roma não tivesse sido ocupada pelo adversário.

E quando o Papa descia de seus apartamentos, carregado na sede gestatória precedido pelas duzentas ou trezentas cornetas de prata desenhadas pelo Miguelangelo, — e aclamando-o como vigário de Cristo e penetrava na majestosa Basílica de São Pedro –– o povo, mas o povo do mundo inteiro, de pé ou de joelhos, aclamava: Viva o papa! Viva o Papa-Rei!

Quer dizer, continua rei de Roma, apesar da invasão de Roma. E o Papa, cingindo a tiara, majestoso, bondoso, passava abençoando, como se fosse ele o rei daquela cidade: “Benedictio urbi et orbi” – Abençôo a cidade, abençôo o mundo; ignoro este vagalhão. A majestade do Papado é superior a todos os ódios, é superior a todas as ondas, e esmagará tudo.

Mais ainda: a Igreja requintou, de algum modo, a sua fisionomia pela definição do dogma da Imaculada Conceição. Sancionado pela maravilha das maravilhas, que foi Lourdes, com a produção contínua de milagres que provavam a verdade da Igreja Católica, e que faziam com que os ateus perdessem completamente a graça – mas não a insistência em pregar o ateísmo. Com a definição do dogma da Infalibilidade Papal, e a realização grandiosa do Concílio Vaticano I, que promulgou esse dogma, a Igreja levou suas características contra-revolucionárias ao último ponto.

E eu estava lendo, há algum tempo atrás, uma História Universal, escrita por um maçon, que é uma espécie de manual de História destinado aos colégios laicos da França. É o Mallet que muitos dos senhores conhecem — o Mallet dizia que apesar de toda a luta feita contra a Igreja, a reação foi tão forte que, por toda parte, surgiram jornais católicos, universidades católicas, associações católicas, sindicatos católicos, até partidos católicos; em quase todos os países da Europa floresceram partidos católicos que elegeram numerosos deputados católicos às câmaras.

E, então, o Mallet comenta indignado, confuso e melancólico: “Pode-se discutir se, depois de toda esta ofensiva contra o Papado, um Papa — como por exemplo, Pio IX ou Leão XIII, em pleno século XIX; em pleno século XX, mais tarde, com São Pio X — não tinha nas mãos um poder ainda maior do que São Gregório VII no pináculo da Idade Média”.

Realmente, afervorou-se a disciplina para com o Papa. Os vínculos que ligavam a Hierarquia Eclesiástica ao Papa se tornaram mais fortes do que nunca. E, mais do que nunca, o Papa foi o soberano espiritual efetivo de quinhentos milhões de católicos. A este número, mais ou menos nós chegamos em meados deste século, ainda no pontificado de Pio XII: quinhentos e tantos milhões de católicos; em relação aos quais, um aceno-de-mão do Papa valia por lei; e que, portanto, era mais influente do que os maiores potentados da Terra. Sem exércitos, sem polícia, sem meios materiais de dominar, ele realizava essa maravilha, que era o domínio pelo espírito e pela graça; o domínio pelo amor e pela dedicação.

Este super-governo mundial mandava núncios por toda parte, mantinha uma corte brilhante, tinha o aparato e o fausto das maiores monarquias. E não cobrava impostos! Havia uma contribuição chamada, o “Óbulo de São Pedro”, mandada espontaneamente pelos católicos do mundo inteiro. É o único governo da História, que se manteve espontâneo, sem polícia nem ação judicial, levado apenas pelo amor enlevado e entusiasmado de seus súditos.

O que aconteceu?

Aconteceu que, diante desta muralha que ia subindo à medida que o vagalhão ia crescendo – e que lembrava uma lenda antiga da qual fala São Francisco de Sales, de um lago antigo colocado no alto dos montes e cercado por rochedos, e que de vez em quando era sacudido por tempestades; então, quanto mais a tempestade no lago subia, tanto mais cresciam os rochedos e as águas do lago nunca extravasavam – assim também, a Igreja Católica sacudida pelas tempestades era como um rochedo que crescia, e cujo poder ia se tornando cada vez mais universal, cada vez mais espantoso, cada vez mais incontrastável.

Então, depois da Primeira Guerra Mundial, começou a decadência da ofensiva. O adversário começou a fingir que se tinha esquecido dos ataques da véspera e, não atacando mais a Igreja de frente, tentou entrar em conciliação com Ela. E tentou estabelecer com muitos católicos um contrato, que era o seguinte: “Não; os nossos antecessores erraram; eles tiveram, contra vocês, uma violência que nós não temos mais; nós compreendemos que vocês são extraordinários, nós compreendemos que vocês são admiráveis. Não em tudo… com tudo nós não concordamos, mas, em algo, nós concordamos. Nós queríamos, com vocês, era um pouco de paz. Vocês querem ter sossego, não querem? Façamos um contrato, façamos um cambalacho, uma negociação. O contrato, cambalacho, a negociação é o seguinte: modernizem-se, atualizem-se, abandonem as pompas do passado – assim ficam meio parecidos conosco – que nós nos comprometemos a não atacar mais a vocês”.

Alguns católicos preguiçosos e comodistas, lá por 1930, começaram a dizer: “Quem sabe…”; e começaram pleitear uma modernização da Igreja. Depois disto vieram outros católicos que começaram a dizer: “Indiscutivelmente, nós devemos nos modernizar”; e começou então a Ação Católica, por volta de 1940. E depois começaram os católicos da Democracia-Cristã e do progressismo, que iniciaram a grande virada da Igreja.

E aí os senhores têm a desolação presente. Nos círculos católicos, inúmeras pessoas procuraram pactuar com o espírito moderno, procuraram desfigurar a Igreja, deixaram aquela majestosa segurança de si que a Igreja tinha; deixaram aquela imponência que a caracterizava nos antigos tempos e que obtinha o aplauso de todos os povos – para chegar a um resultado, que é esse resultado que nós vemos hoje: a Igreja trivializada, banalizada, modernizada e, por isso mesmo, dividida, traída, em situação tão triste que ultimamente se começou a falar da renúncia do papa Paulo VI.

E um dos admiradores dele escreveu num jornal: “Essa renúncia não é possível. A Igreja parece, hoje, uma imensa nau fazendo água de todos os lados; o Papa não a pode deixar”. Coisa mais triste! O Papa mesmo disse o seguinte: “A Igreja parece estar sujeita a um misterioso processo de autodemolição; por dentro e com suas próprias mãos, Ela parece demolir-se.” Esta, a triste situação a que nós chegamos.

Assim, nós podemos dizer que houve tempo em que os católicos, isolados do mundo, perseguidos pelo mundo, constituíram, em face do palácio imponente e mentiroso da civilização laica, o seu próprio palácio. Eles constituíram sua organização, constituíram seu meio. Se os senhores não quiserem falar de palácio, falem de fortaleza: eles constituíram sua própria fortaleza.

E, porque eles fizeram essa fortaleza imponente baseada no princípio de que não há que fazer concessões; porque toda concessão é uma traição; porque o adversário só parará de nos atacar no dia em que nós nos trairmos a nós mesmos; porque é preciso lutar sempre e é preciso nunca ceder às promessas de reconciliação de um adversário… nós, do adversário, queremos duas coisas: ou a conversão, ou a luta. Se ele quiser se converter, temos os braços abertos para ele; se ele não quiser se converter, sabemos que ele nos atacará. E nós o atacaremos também.

Então, nessas condições, nós tivemos a Igreja que realizou a teoria das duas fortalezas – ou dos dois palácios – e que venceu a batalha.

Nós tivemos, depois, a tática oposta. Nós tivemos a Igreja que aceitou, infelizmente, de entrar em composição; acreditou que os filhos das trevas podiam sinceramente admirá-la em algo; sorriu para eles, abraçou-os e recebeu o abraço da morte… Teria morrido desse abraço, se Nosso Senhor Jesus Cristo não Lhe tivesse garantido a imortalidade.

 

Ecumenismo religioso e moral, grande problema do homem – Plinio Corrêa de Oliveira

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Santa Bibiana, rogai por nós!

 

“Que meios temos para lutar contra a infiltração do ecumenismo da Igreja”.

Em primeiro lugar é repetir isto que eu estou dizendo e o que se lê em revista, em jornais de caráter contra-revolucionário e que dão artigos a respeito desse assunto. Mas há um ponto muito importante: É que o ecumenismo não consiste só em afirmar esse erro explicitamente. Há um modo de ser ecumenista, há um modo da gente se apresentar, até existe um modo de pronunciar as palavras que é ecumenista.

Quem é filho da Igreja militante, que sabe que essa vida é uma luta, que o demônio nos espreita a todo momento, que sabe, portanto quem tem de guerrear, este, normalmente, é afirmativo no que diz. Ele segue a linguagem de Nosso Senhor, obedece ao preceito de Nosso Senhor: Seja a vossa linguagem sim-sim, não-não”. E, portanto até o timbre de voz é um timbre de voz habituado a dizer um sim carregado de afirmação e um não carregado de negação.

Outrora isso caracterizava o varão que tinha verdadeiramente a nobreza, a força de caráter de sua varonilidade. Caracterizava a dama de fé, parecida com a mulher forte do Evangelho, cujo preço deve ser buscado até os confins da terra porque o valor dela é colossal.

Hoje em dia isso está desaparecendo. Os senhores vejam como as pessoas falam: É, talvez, quem sabe, é bem possível, não é”?

Modo das pessoas se interpelarem hoje. Antigamente se dizia “Fulano” [mode forte e normal] Hoje é “fulano [meloso, adocicado]”.

Isso, por detrás, tem ecumenismo dentro.

A gente deve ser muito amável, muito gentil. Se isso não é dado a todos, alguns de nós participamos bem menos desse dom, outros tem mais, ser até agradável. Muitos santos foram de uma companhia deliciosa. Mas de tal maneira que, aos bons atraía para o bem, aos maus atraía para o bem também. E os outros que não se deixavam atrair para o bem, atacavam a eles. E por isso todos os santos foram perseguidos.

Que tem o programa de vida de não ter inimigos para não ter amolação, esse é um homem maculado de ecumenismo no seu temperamento e no seu modo de ser, porque não vive sem inimigos quem segue a Nosso Senhor Jesus Cristo, que foi o homem….o homem! O Homem-Deus a quem foi preferido Barrabás, o bandido!

Contra o movimento ecumênico pós conciliar – Plinio Corrêa de Oliveira

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Santa Bibiana, rogai por nós!

 

…o movimento ecumênico post-conciliar afirma, ora claramente, ora não, o seguinte: Que todas as igrejas participam de algum modo da Igreja Católica, que elas são miniaturas da Igreja Católica, que tem em ponto pequeno as qualidades excelsas da Igreja Católica. Que o que elas tem de errado, é nelas um fator secundário, que não tem importância. O que tem de importante é aquilo em que elas concordam com a Igreja Católica. E que – não sei se a expressão não será um pouco carregada demais – elas acabam sendo verdadeiras sucursais da Igreja Católica. Com isso nós não estamos de acordo de nenhum modo!

(Aplausos)

Não estamos de acordo de nenhum modo com as religiões que se dizem cristãs. Elas não são sucursais da Igreja Católica, elas são adversárias da Igreja Católica. Pode ser que entre os que as seguem, haja almas boas que estão caminhando para se converter. Essas almas podem ser que pertençam ao que a Igreja chama “o espírito da Igreja”. Nós devemos olhar para elas com simpatia, procurar atraí-las. Por exemplo, certos filões do anglicanismo. Eles estão caminhando, parecem caminhar para inteira profissão da fé católica. No dia em que se converterem, terão cessado as barreiras. Enquanto não se converterem, não terão cessado as barreiras. Nós poderemos, por cima das barreiras, fazer todo o possível para esclarecê-los. Mas criar uma confusão e dizer: “Nós somos a mesma religião”, não contem com isso, por lá nós não passaremos, essa é a realidade!

(Aplausos)

A possibilidade de um Papa Herege, a infabilidade da Igreja – Plinio Corrêa de Oliveira

https://gloria.tv/post/WDXRB3wZhhvk3cnefJMqJvnBu

26-I-1985 CCEE

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2019/07/20/a-possibilidade-de-um-papa-herege-a-infabilidade-da-igreja-plinio-correa-de-oliveira

Livro de Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, recomendado e revisado por Dr. Plinio, onde se trata da possibilidade do Papa herege: https://www.traditioninaction.org/Questions/WebSources/B_612_AX-Port.pdf

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Significado das Siglas https://cruciferos.wordpress.com/significado-das-siglas-das-fontes/

Santa Bibiana, rogai por nós!

*********

Eu tenho várias perguntas que dizem respeito à posição da TFP face à Sua Santidade João Paulo II e eu preciso tratar disso. As respostas  essas perguntas estariam falhas se esse tema tão concreto, tão importante e tão central para nós católicos se esse tema não fosse tratado. Assim ou entro diretamente no tema.

Eu falei, há pouco, a respeito da Igreja como Nosso Senhor a instituiu. É o momento de eu fazer a seguinte pergunta: Como é que Nosso Senhor instituiu o papado?

Os senhores sabem que está escrito que Nosso Senhor disse a S. Pedro: -“Pedro, Tu és pedra e sobre esta pedra eu construirei a minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão contra Ela!”

Isso dito, está assegurado que o papado não cairá em erro até ao fim dos séculos. Porque se cair em erro, as portas do Inferno prevalecerão contra Ela. Isto dito também, a infalibilidade da Igreja, quando unida com o Papa; a infalibilidade do Papa como chefe da Igreja, está assegurada. E eu devo dizer que no período de minha adolescência, quando minha Fé foi passando  –  não digo propriamente de implícita, mas quase nativa com o Batismo e com o sangue brasileiro,  –  foi passando lentamente para alguma coisa de refletida, de ponderada, eu encontrei de repente, isto que eu conhecia assim… eu encontrei de repente na ponta de uma reflexão e me causou entusiasmo incomparável: a infalibilidade da Igreja e da Igreja sobretudo na pessoa do Papa.

Eu já tinha, talvez uns 14 a 15 anos, nessa ocasião, e já tinha bastante experiência da vida para perceber os desatinos e as loucuras que estavam como numa represa para se derramar sobre o mundo contemporâneo. Tudo isto que aconteceu depois, uma noção confusa eu tinha. Eu percebi que nós íamos para o abismo, eu percebia que só de um lugar provinham as palavras de ordem, de paz, de Fé, de sabedoria, de moral, de limpeza, de pureza: era o Magistério da Igreja Católica!

Mas que belo! – refletia eu – que bom, que santo, que Nosso Senhor Jesus Cristo tivesse instituído que um homem à testa da Hierarquia, ele de si, fosse infalível pela assistência do Espírito Santo. De maneira tal que, quando ele quisesse falar, usando a carisma da infalibilidade, ele não caísse em erro. Porque para reunir os bispos todos do mundo, para fazer um Concílio, para definir cada ponto, isso não funciona. De vez em quando vai, em ocasiões excepcionais está bom. Normalmente tem um que fala: é o timoneiro do barco, ele conhece o caminho, indica para onde se vai olhar: ó maravilha!

Eu sou de uma natureza entusiasmável, eu gosto de admirar, quando encontro algo digno de admiração, por grande ou por pequeno que seja, eu me sinto como em casa. A admiração é o lar de minha alma. Eu sou feito para admirar! E posso dizer que muitas e muitas coisas, eu tenho admirado ao longo de minha vida, selecionadas com tanto cuidado que as decepções foram muito poucas. Não admiro qualquer coisa. Não sou um glutão da admiração. Eu não vou devorando qualquer admiração, não! Vamos selecionar. Mas, bem selecionado, ó alegria.

Entretanto, eu devo dizer que nunca, na Terra, eu admitir algo tanto quanto a infalibilidade do Papado.

[Aplausos. Alguém do auditório pede mais aplausos para o Sr. Dr. Plínio]

Eu disse de propósito: “não admirei tanto”, porque há algo que eu admirei mais. Em todo o caso, veja, vai tão longe a admiração que eu tenho e que eu acho que o papado merece – isso é que é importante (que eu tenha admiração a ele não interessa aos senhores, mas que o Papado mereça essa admiração, isso é que importa) – então, acho que o Papado é tão digno de admiração que  em muitos sentidos o que eu vou dizer é mais admirável, não sei se deva dizer que é em todos os sentidos, é, acima do papado, Nossa Senhora!

Quando se fala de Nossa Senhora a voz se faz alta, os olhos se põem no Céu e o peito se alarga! Alguém há tão alto que quando se fala dele os olhos se concentram, a voz se torna baixa, a cabeça se inclina reverente e diz: É a Sagrada Eucaristia!”

Por isso mesmo, minha alma de adolescente, se sentia arranhada quando eu via um ou outro ateu dizer, na minha presença, que houvera papas imorais no tempo da Renascença; que ouvia mencionar este ou aquele fato desairoso da vida de algum papa. E mais ainda:  eu ficava indignado e dizia que não era, ainda que eu não conhecesse a história desse papa, com toda a força de meus fortes pulmões eu bradava: “não é certo, isto não aconteceria porque o papa é o papa”  –  até o dia em que ouvi dizer o mesmo por um padre, culto e inteligente, um jesuíta!

Eu fiquei como se alguém… o que sentiria um diamante se alguém o arranhasse e ficasse com aquela marca, senti eu quando ouvi isso. “Mas então, a Igreja diz isso de si mesma? Mas então, a Igreja que a liturgia descreve como uma dama formosa, uma rainha de grande beleza, sem ruga nem mácula na pele, esta, tem este gilvaz medonho? Esta, a Igreja? Fiquei pasmo…

Depois, eu pensei: se isto é assim, não pode ser feio, porque é n’Ela! Ela é a fonte de toda a beleza!

Estudei… e como sempre me aconteceu dentro da Santa Igreja Católica, caminhando pela pradaria da doutrina dEla, quando eu encontro alguma coisa que eu não entendo, eu paro com uma especial esperança. O que eu entendo, entendi! Está acabado. Agora, a questão é o que eu não entendo: porque como Ela não erra e eu erro, naquilo que a mim me parece um calombo na terra, que eu encontro, há uma caixa de jóias da sabedoria d’Ela que me resta desvendar. E eu vou sequioso atrás do tesouro que a minha mente não foi capaz de descobrir… ó maravilha.

Foi o que aconteceu com o caso do papado. Eu entendi, aprendi, muito sumariamente dito, que Nosso Senhor instituiu esse carisma para o Papa, quando ele fala “ex-catedra”, quer dizer, quando ele tem a intenção de, oficialmente, e como sucessor de S. Pedro, Príncipe dos Apóstolos, definir uma verdade para os fiéis. E quando ele diz que ele está falando nessas condições, muitas vezes, ele o diz explicitamente, às vezes, diz implicitamente, mas sempre diz  –  quando ele diz é estrita e absolutamente infalível, porque o Espírito Santo resguarda a inteligência dele de qualquer erro a esse respeito.

Mas fora dessas condições, fora dos documentos do Magistério da Igreja favorecidos, bafejados pelo carisma da infalibilidade, o Papa é infalível?

Numa encíclica em que ele não alega a sua própria infalibilidade do que é que vale esse ensinamento? Do que é que vale numa Bula, do que é que vale numa Constituição Apostólica um ensinamento de um Papa? Não pode ele estar errado? O que é que ensina a Igreja a esse respeito a própria Igreja?

Ela ensina o seguinte: que normalmente falando, mesmo nos documentos que não são garantidos, os pronunciamentos que não são garantidos pelo carisma da infalibilidade, o Papa normalmente tem razão. E que salvo as razões solidíssimas, fortíssimas que uma pessoa muito segura na doutrina e que estudou muito possa ter, e com muito espírito católico, a pessoa deve optar – salvo essa circunstância – pela idéia de que ela está errada e o documento está certo.

Mas há uma circunstância em que especialmente é fácil notar que num documento pontifício um erro possa se ter esgueirado:  é quando todos os papas que lecionaram sobre o assunto, ao longo dos séculos, lecionaram a mesma coisa, em determinado momento um Papa vem e leciona o contrário. Porque se um documento pontifício do Magistério ordinário pode conter o erro, uma longa tradição de documentos pontifícios no Magistério ordinário não pode ensinar o erro e, portanto, essa continuidade da tradição forma a infalibilidade.

Alguém me dirá: “Dr. Plínio, que beleza há nisso? O senhor está falando com esse entusiasmo, eu não vejo que beleza tem isso. Muito mais bonito seria se Nosso Senhor tivesse colocado um Papa infalível sempre ainda quando ele diga que esta água é “Caxambu” e não “São Lourenço”, era muito mais seguro. E se fosse assim, o senhor se entusiasmaria. Agora, como não é, o senhor se entusiasma?”

É assim mesmo! Com tudo quanto Deus faz, se Deus quiser eu me entusiasmarei enquanto eu viver! Mas, para nós homens, há uma razão especial para encontrar uma beleza dentro disso. A razão é a seguinte: um Papa é um homem; ele foi concebido no pecado original; ele é sujeito a erro, por mais sábio que ele seja ele é sujeito a erro. São Tomás de Aquino que não foi papa, mas foi o sol dos Doutores, são Tomás cujo nome é incomparável dentro da Igreja, São Tomás sustentou que Nossa Senhora foi concebida no pecado original. A Igreja definiu o contrário.

O homem, de vez em quando erra, ainda quando ele não é papa. E é bom que isto aconteça de modo que alguns papas errem, em condições muito claras de que não falaram “ex-catedra”. É bom que isto aconteça para demonstrar como até lá o homem é fraco. Só Deus é forte! Quando Deus fala por aquele a quem Ele, em determinadas condições, garantiu a infalibilidade, nunca sai o erro. E se eu não entender quem errou fui eu! No mais, com o devido respeito, com a devida reverência, com a devida prudência, se há razões, a gente deve expor, deve submeter, deve afirmar, deve conversar, porque pode acontecer.

Há razões, há fatos da história da Igreja que são sintomáticos nesse sentido. Por exemplo, os “Atos dos Apóstolos” contam que S. Pedro tinha uma determinada orientação em relação aos judaizantes, aos judeus convertidos à religião católica, quanto a ritos, práticas, etc. São Paulo achou que aquilo punha em risco a formação dos fiéis na Fé. Foi a Antioquia, que era então a capital do papado, para falar com S. Pedro e resistiu a São Pedro, “de frente”. São as palavras que emprega o próprio “Atos dos Apóstolos”. São Pedro deu razão a São Paulo. O Espírito Santo falou pela boca de São Paulo e depois falou pela de São Pedro. Pela de São Paulo quando ele censurou, pela de São Pedro, quando ele reconheceu o seu erro. Aí está!

Há casos impressionantes!

Os senhores sabem que nas arenas romanas havia um ídolo com uma pira com incenso, que se queimava quando o indivíduo queria fugir do martírio. E jogando o incenso [na pira] simbolizava que renunciava à Fé católica e aceitava o culto para aquele ídolo. Pois bem, um papa chamado Marcelino, levado à arena, teve medo. Os senhores sabem o que ele fez? Isto qualquer historiador reconhece: pegou incenso e jogou no fogo. Era um papa reconhecendo a verdade do ídolo. Como se explica isso?

É que ele não fez uma definição “ex-cathedra”, foi um ato pessoal dele. Ele naquela ocasião caiu em heresia; abandonou, ele, a Fé. Mas ele não disse que como papa estava definindo que aquele ídolo era o verdadeiro. Razão pela qual ele voltou às catacumbas, chorou o seu pecado, pediu perdão; foi perdoado e a Igreja hoje o venera nos altares: São Marcelino, mártir!

Quando nós tivermos perplexidades a esse respeito, que bom dizer: “São Marcelino, rogai por nós!”

Levado, arrastado, pela segunda vez, às feras, ele as enfrentou e sua alma, purificada pelo próprio sangue dele subiu aos Céus e foi imediatamente recebida por Deus! S. Marcelino, [rogai por nós].

A ação da TFP no Concílio Vaticano II – Plinio Corrêa de Oliveira

https://gloria.tv/post/ziBLsXCMzCQX21osXedKHu7jy

2-VI-1984 CCEE

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2019/07/20/a-acao-da-tfp-no-concilio-vaticano-ii-plinio-correa-de-oliveira

Para saber mais sobre a atuação de Dr. Plinio do Concílio Vaticano II
http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/06/atuacao-da-tfp-e-de-drplinio-no.html

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Significado das Siglas https://cruciferos.wordpress.com/significado-das-siglas-das-fontes/

Santa Bibiana, rogai por nós!

*********

“Qual foi a atuação do senhor no Concílio para evitar ou diminuir a catástrofe”?

Há um principio que diz que a história, para ser feita, precisa um certo recuo de tempo. Não se faz uma história dos acontecimentos muito recentes. Um homem, quanto aos acontecimentos muito recentes, pode escrever a sua biografia. Mas para fazer o histórico de um conjunto de uma situação, é preciso que passe o tempo.

Assim como, por exemplo, para ver um quadro é preciso uma certa distância  –  se eu puser os meus olhos muito perto do quadro, eu não verei bem; assim também para ver o passado é preciso uma certa distância do tempo. Eu posso dizer o que a TFP fez durante o Concílio. Há uma coisa disso que ainda é cedo para contar. Isto faz parte da história. Ainda é cedo.

Bem, a TFP, eu me lembro que nós estávamos numa reunião da TFP, numa Semana de Estudos da TFP quando veio um jornal vespertino que imediatamente foi comprado e trazido para dentro da sala de reuniões, anunciando que João XXIII tinha convocado o Concílio.

Fazia-nos a honra de presidir a mesa naquele tempo um arcebispo que, com Dom Antônio de Castro Mayer, comigo e com o economista Mendonça de Freitas escreveu o livro RAQC. Ele fazia a honra de presidir a mesa. Eu li rapidamente e passei por debaixo para ele, porque nós brasileiros, sabemos que somos muito espevitados. E que se essa reunião caísse durante a reunião, desarticulava a reunião completamente. Os comentários, as perguntas, o que é que vai acontecer, etc., etc., ia tudo pelos ares.

Ele, jeitoso, também dobrou o jornal assim, leu por debaixo da mesa e não comentamos nada. Mas os espíritos estavam prognosticando duas coisas diferentes.

Ele contou que quando ele leu aquilo ele teve um verdadeiro alívio e pensou: “Agora está tudo resolvido, porque o Papa convoca o Concílio e acerta a cabecinha de todos os bispos. E daí vai sair a posição certa para Igreja no mundo inteiro”. Alívio.

Eu, pelo contrário, tive a impressão que eu teria se eu vivesse no tempo de Luís XVI, o rei [da França do tempo] da Revolução Francesa, quando Luís XVI convocou os Estados Gerais, de cuja a reunião decorreu, em última análise a Revolução Francesa.

Havia um alto nobre da corte francesa que estava lendo o decreto de convocação dos  Estados Gerais afixados numa parede. A imprensa era muita atrasada naquele tempo e os decretos reais eram colocados na parede, nos muros, etc., e tinham arautos proclamando também. E esse nobre parou diante de uma parede que tinha esse decreto. E passou alguém perto dele e perguntou: “Sr. Duque, o que é que está pensando disso”?

Ele olhou e disse: “Eu estou pensando em que punição Luís XIV, o rei forte da França, teria dado a quem lhe aconselhasse de convocar estes Estados Gerais”.

Aquela convocação foi a debandada de uma Revolução que não se estancou até agora. Foi se agravando, como os senhores sabem, deu no que está agora. A revolução a conciliar, a meu ver, foram os Estados Gerais da Igreja.

Para, o quanto possível, assistir a Santa Igreja nessa emergência, com dificuldades financeiras, com dificuldades operacionais, e tudo e tudo, nós da TFP constituímos um secretariado em Roma e nos mudamos, transferimos para lá, na primeira sessão do Concílio, talvez umas 10 pessoas da TFP. Uma expedição tão completa que levamos até móveis de bonita apresentação para recebermos condignamente os prelados, ou as personalidades eminentes que nos fossem visitar. Levamos até um contador para fazer a contabilidade do que lá se gastasse, levamos tudo. E passamos lá durante todo o tempo da primeira sessão, durante 3 meses.

Durante esse tempo eu percebi desde logo que eram pouquíssimos os olhos que estavam abertos para aquela situação, pouquíssimos. O príncipe Dom Bertrand deu-nos a alegria de estar conosco e está acenando com a cabeça, porque ele viu isso. Eram pouquíssimos os que estavam com os olhos abertos para isso. Os bispos eram os pedidos em seminários, seminários, em geral, nos arredores de Roma, conventos muito grandes ou seminários. Então tinham todos os bispos de uma ação, hospedados naquele seminário.

Quando chegava a ora do Concílio, ia um ônibus, enchiam os ônibus de bispos e iam à Basílica do Vaticano. Lá ele se paramentavam e participavam do Concílio. Depois eles eram levados pelos ônibus para os seminários ou para os conventos de novo e ficavam inteiramente isolados.

Mas eu, querendo ver se furava m um pouco a barreira, se conversava com algum, se abria um pouco um pouco os olhos não só eu mas outros amigos meus – fomos com uma ou outra razão a um outro seminário, a um outro convento para falar com eles. Nós os pegamos assim, nos intervalos, tão amáveis, tão despreocupados, tão contentes que a gente via que eles não tinham noção de demolição em que estavam empenhados. Havia uma espécie de impossibilidade de dizer alguma coisa a eles, uma verdadeira impossibilidade.

Nós, em pouco tempo compreendemos que não havia o que fazer. Nós fomos a primeira sessão e não voltamos para a segunda.  Porque, com exceção de muito poucos, bispos, os outros tinham o otimismo e a despreocupação a mais completa.

O que fizeram esses poucos bispos? O que eu sei é que todo o mundo sabe. Os discursos que estão na sala conciliar. Eu tive uma tal tristeza com essa situação que eu resolvi não voltar mais para o Concílio. E acabou-se. A participação da TFP no Concílio foi essa.

Posição da TFP sobre a missa nova, e o estudo de A. Xavier da Silveira – Plinio Corrêa de Oliveira

https://gloria.tv/post/91ApuSaJV9Be6bS3CnRyzHHGF

22-6-1984 CCEE

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2019/07/20/posicao-da-tfp-sobre-a-missa-nova-e-o-estudo-de-a-xavier-da-silveira-plinio-correa-de-oliveira

Posição da TFP sobre a missa nova, a relação com Dom Arns, e o estudo de Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira. Dr. Paulo Britto, diretor do Mensário Catolicismo até 2018, também formou a comissão.

Livro citado de Arnaldo V. Xavier da Silveira:
https://www.traditioninaction.org/Questions/WebSources/B_612_AX-Port.pdf

Mais sobre esse tema: https://cruciferos.wordpress.com/2020/06/10/o-direito-de-saber-plinio-correa-de-oliveira-folha-de-s-paulo-25-01-1970/

História de Dr. Plinio e a missa nova: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/01/drplinio-profetico-contra-as-inovacoes.html

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Santa Bibiana, rogai por nós!

***

Então aqui tem uma pergunta:

“Diante da crise post-Conciliar, como um verdadeiro católico deve ser? E quais devem ser seus sentimentos pelo fato de a verdadeira missa tradicional, o culto mais sagrado de nossa religião, instituído pelo próprio Deus, já não é o mais oficialmente celebrado em nenhuma diocese do mundo”?

A razão é de uma tristeza enorme. Ela motiva um ato de reparação permanente diante de Deus Nosso Senhor, diante de Nossa Senhora pelo que ocorre. Mas é preciso não ficar nisto. É preciso nós nos empenharmos em assistir a missa do ordo de São Pio V, a missa como ela deve ser. Esta é a posição que nós tomamos. É a posição que eu tive a ocasião, com o devido respeito, de levar ao conhecimento do meu arcebispo, que é o cardeal Arns, que era a posição não oficial da TFP, porque a TFP pelos estatutos não entra nisso, mas era a posição pessoal da totalidade dos membros da TFP. E ele ouviu isto com muita cordura, com muita gentileza, eu dei a ele um estudo sobre a missa que foi feito por uma pessoa que pertencia à TFP, eu dei a ele um estudo sobre a missa para ele, e pedi a ele um diálogo com a Sagrada Hierarquia a respeito do assunto.

Ele muito amavelmente declarou que ele concederia o diálogo e a comissão se constituiu. Dessa comissão fizeram parte o autor desse estudo, o Dr. Paulo Brito que está aqui presente, o diretor do Catolicismo, e, do lado da cúria 3 sacerdotes. Essa comissão reuniu-se na sede do Reino de Maria, umas duas ou três vezes, não me lembro bem. Ao cabo de algum tempo a comissão não se reuniu mais. E nós sabemos porque não se reuniu. Era um justo motivo: É que dos três membros da comissão, 2 eram sacerdotes que se casaram. E eu não tive coragem de tocar no assunto tão desagradável escrevendo ao arcebispo. Fiquei na espera de que ele tomasse a iniciativa de completar a comissão e de continuar o diálogo. Ele não completou, não me movi. O fato concreto é que a comissão não se reuniu mais. Mas nossa atitude é conhecida dele, não é uma atitude clandestina, não é uma atitude inconfessada, é uma atitude conhecida dele.

Quando, anos depois, eu sofri – eu depois não o vi mais – quando anos depois eu sofri o desastre de automóvel cujos efeitos os senhores constatam quando me vêem andar, quando eu sofri esse desastre de automóvel, uma das primeiras visitas que eu recebi no hospital foi do cardeal Arns.

As mais fundas divergências existem entre nós, é evidente. Mas é com esta cortesia e com esta elevação de vistas que ele tem conduzido as relações dele, no que diz respeito a mim. E, ao mesmo tempo que eu afirmo, portanto, esse desacordo, eu cumpro um dever mostrando qual é a linha que ele tem seguido nesse ponto.

Agora, além disso, alguma coisa?

Sim. Sempre que é possível, procuramos persuadir alguém de assistir a missa segundo o ordo, etc., etc., porque é obrigação do católico, individualmente, fazer apostolado. É o que nós podemos fazer no momento. Se pudermos fazer mais alguma coisa, fa-lo-emos, dentro de nossa finalidade e de nossos estatutos, com entusiasmo. Como católicos, individualmente, com entusiasmo. No momento são as tais limitações, não temos outra coisa para fazer. Fazer o quê? Não temos outra coisa para fazer.