“O direito de saber”, Plinio Corrêa de Oliveira, Folha de S. Paulo, 25-01-1970

Noticia a missa nova promulgada por Paulo VI – Ela é muito diferente do “Ordo” anterior, decretado por São Pio V – Cardeais Ottaviani e Bacci manifestaram viva apreensão e fundas reservas quanto ao novo “Ordo”, que apresenta a Missa, não como um sacrifício conforme à doutrina católica, mas como uma ceia, o que se aproxima do conceito protestante – No diário católico parisiense “La Croix” o “irmão” Thurian, do convento de Taizé, na França, escreveu que “A reforma litúrgica deu um passo notável no campo do ecumenismo. Ela se acercou das próprias formas litúrgicas da Igreja luterana” – A Associação de Santo Antônio Maria Claret, que possui 6 mil sacerdotes, enviou uma carta ao pe. Bugnini, reputado o autor do novo “Ordo”, dizendo “não podemos celebrar uma Missa da qual o sr. Thurian, de Taizé, declarou que poderia celebrá-la sem deixar de ser protestante. A heresia não pode jamais (nos) ser imposta por obediência” – Segundo a “Pensée Catholique”, em muitas igrejas os padres fazem uma estrepitosa pressão moral para que todas as pessoas presentes comunguem, e a sagrada hóstia é recebida na mão, não mais na boca.

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Folha de S. Paulo, 25 de janeiro de 1970

O direito de saber

Um repetido contato com o público dos países da Europa Ocidental deixou-me absolutamente convicto de que poucos povos acompanham, como o nosso, os acontecimentos internacionais.

A respeito das greves que têm sacudido a Itália, por exemplo, e da crise ministerial que ali se vai avolumando, estou persuadido de que o brasileiro de cultura mediana possui conhecimentos sensivelmente mais pormenorizados do que o francês ou o austríaco de igual nível. Não se pense que a razão disto se encontra no opulento noticiário internacional de nossa imprensa, superior habitualmente ao noticiário dos jornais europeus. O contrário é que é verdade. Porque o brasileiro se interessa vivamente pelo ocorrido em todo o mundo, é que a nossa imprensa lho relata tão largamente. Diz-se que os jornais modelam o público. Mais verdade ainda é que o público modela os jornais.

Diria pouco quem se cingisse a afirmar que o brasileiro lê noticiários internacionais amplos. Ele medita sobre eles, os comenta, e deles extrai observações que depois aproveita para resolver problemas domésticos. Em outros termos, o brasileiro possui o senso do universal. É esta uma de nossas riquezas de alma. E felicito nossa imprensa por atender com tanta fidelidade às exigências desse senso do universal, que nos distingue.

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Por isto mesmo, qualquer enclausuramento da opinião nacional nos tabiques de uma informação dirigida, que lhe subtraia alguma parcela ponderável do que no Exterior ocorre, a mim se afigura como um atentado a um dos traços mais nobres do espírito brasileiro.

Ora acontece que, a respeito do modo por que largos setores europeus estão recebendo o novo texto da Missa — o novo “Ordo Missae”, se quisermos usar a expressão correta — parece-me que o público nacional está muito pouco informado. Penso contribuir para que se remedeie a lacuna assim criada, com algumas notícias típicas, que passarei a enunciar. Não me assusta o melindroso do assunto, precisamente porque discordo da idéia de que se deva sujeitar a uma filtragem de notícias melindrosas um povo inteligente — e de tanta Fé — como o nosso.

Limito-me, na nota de hoje, a noticiar. Noticiar — repito — é atender a um direito do público. É cumprir um dever de jornalista. Atendo aqui a esse direito. E cumpro meu dever.

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Como todos sabem, a Missa é o ato mais augusto do culto católico, pois renova de modo incruento o Sacrifício do Calvário. Tudo quanto toca na Missa toca, pois, no que a Religião tem de mais nobre, sensível e vital. O papa Paulo VI instituiu recentemente um “Ordo Missae”, diferente em vários pontos muito importantes do “Ordo” anterior, decretado por São Pio V, no séc. XVI. Não espanta, pois, que a atenção de todos os teólogos se tenha fixado, desde logo, sobre o novo texto.

Ora, se em muitos ambientes este foi vivamente aplaudido, e em outros foi recebido com uma confiante despreocupação, dois cardeais — duas personalidades muito chegadas, pois, ao Papa — não trepidaram em escrever a Paulo VI uma carta em que manifestavam viva apreensão e fundas reservas quanto ao novo “Ordo”. E, mais ainda, os dois purpurados julgaram dever comunicar ao público a carta que haviam enviado ao soberano Pontífice.

Não veja o leitor, neste episódio, um ato de contestação teatral, destes que se vão tornando banais na vida tragicamente conturbada da Igreja. Não é uma atroada à maneira do cardeal Suenens. Nem um ato de oposição, no estilo do cardeal Alfrink. Desta vez, os cardeais em causa são pessoas famosas exatamente por sua disciplina para com o Papado. Trata-se do célebre cardeal Ottaviani, secretário emérito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. E do grande latinista cardeal Bacci. É particularmente expressivo que, precisamente deles, tenha partido esse brado pesado, comedido e respeitoso — mas que nem por isto deixa de ser um brado — a respeito do novo texto da Missa.

Há tempos, as agências telegráficas publicaram algo sobre esta carta. Não dispondo aqui do espaço necessário para a transcrever. Menciono apenas que, segundo os dois cardeais, o novo “Ordo” apresenta a Missa, não como um sacrifício conforme à doutrina católica, mas como uma ceia. E isto — acentuam eles — se aproxima do conceito protestante. Creio não ser preciso dizer mais, para que o leitor se dê conta da gravidade do pronunciamento dos dois cardeais…

No “Courrier de Rome” (25-7), leio uma declaração que, procedente de fonte diametralmente oposta, caminha para a conclusão a que chegaram os dois cardeais. Uma das mais célebres instituições protestantes da atualidade é o convento de Taizé, na França. Ora, em artigo publicado no diário católico parisiense “La Croix” o “irmão” Thurian, de Taizé, escreveu: “A reforma litúrgica deu um passo notável (com o “Ordo” novo) no campo do ecumenismo. Ela se acercou das próprias formas litúrgicas da Igreja luterana”.

Tudo isto talvez explique o fato de que uma parte ponderável do Clero francês continue a celebrar a Missa no texto de São Pio V. Recebi de Paris a relação mimeografada, contendo a relação “incompleta” das igrejas em que se celebra a Missa “à antiga”, com os respectivos horários. Trata-se nada menos de 19 igrejas e capelas em Paris, e 102 em 36 cidades de província.

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Talvez espante ainda mais o leitor o fato de que, da catolicíssima Espanha, tenha partido uma atitude ainda mais impressionante. Na revista “Que Pasa?” de Madrid (n.º 315, de 10 deste mês), leio que a Associação de Sacerdotes e Religiosos de Santo Antônio Maria Claret — em cujas fileiras estão inscritos nada menos que 6 mil sacerdotes — enviou uma carta ao pe. A. Bugnini, secretário da Sagrada Congregação para o Culto Divino, reputado o autor do novo “Ordo”, na qual lemos esta frase: “Nós, sacerdotes católicos, não podemos celebrar uma Missa da qual o sr. Thurian, de Taizé, declarou que poderia celebrá-la sem deixar de ser protestante. A heresia não pode jamais (nos) ser imposta por obediência”. Assim, para essa prestigiosa Associação sacerdotal, não celebrar a Missa segundo o texto novo é um imperativo de consciência.

Para voltar à França, forneço aos leitores ainda uma notícia, aliás apenas colateral ao assunto. “La Pensée Catholique”, editada em Paris pelo Abbé Luc Lefevre, é um dos mais altos órgãos da cultura religiosa contemporânea. No no 122 (1969) dessa revista (pp. 53-54), leio que em não pequeno número de igrejas os padres progressistas fazem uma estrepitosa pressão moral para que todas, absolutamente todas as pessoas presentes comunguem. A sagrada hóstia é recebida na mão, e não mais na boca. Muitos dos presentes, não se sentindo em condições de comungar, levam as hóstias de volta para seus lugares. E ali as deixam. De sorte que, terminada a Missa, se encontram hóstias atiradas nos bancos, ou até rolando pelo chão. Isto já não é raro em certas igrejas.

A hóstia é o próprio corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo…

* * *

Não é bem verdade que estas são coisas que nosso público tem o direito, o triste direito de saber?

O povo católico mais numeroso da terra é o brasileiro. Lúcido, inteligente, marcado pelo senso do universal, não pode ficar na ignorância da controvérsia que o novo texto da Missa vai despertando.

Piedoso, sinceramente piedoso, ele não pode deixar de se interessar — por outro lado — pelo que conta a “Pensée Catholique” e que constitui, não uma controvérsia mas uma ignomínia.

Salve Maria!

Destacado

Site continuação do canal “Reino da Virgem Maria” que de 2013-2017 postou mais de 200 diversos áudios de Plinio Corrêa de Oliveira falando sobre variados assuntos.

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Feiura da missa versus populum (padre voltado ao povo) – Plinio Corrêa de Oliveira

29-10-1976 SD

Aos membros da TFP, Dr. Plinio comenta a beleza do mistério, nos vários ritos tradicionais da Igreja, no oriente e no ocidente, e o contraste da feiúra da missa versus populum.

Para ver outras feiúras do rito novo da missa, conferir o livro “Considerações sobre o novo ordo missae de Paulo VI”, de Arnaldo Xavier da Silveira: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2018/08/o-missal-da-missa-nova-de-paulo-vi.html

Para saber mais sobre o problema Litúrgico, introduzido por Plinio Corrêa de Oliveira: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/05/o-problema-da-missa-nova-resumidamente.html

Ver mais deste tema na playlist: https://www.youtube.com/playlist?list=PLbPP5bhBTFUU56rsJHkp1KJCkxfofTDMb

Porque as coisas muito maravilhosas podem ser vistas pelo homem nessa Terra debaixo de dois ângulos. Segundo um ângulo, a coisa maravilhosa lucra em se dar na presença de todos. E segundo outro ângulo, a coisa maravilhosa lucra em se dar na presença de muito poucos. As coisas extraordinárias devem mais bem ser realizadas no segredo. E como a coisa extraordinária é extraordinária, ela tem muitos aspectos, e por alguns aspectos ela é mais bela na glória do dia e na solenidade da luz do sol, e por outros aspectos ela é mais bela no segredo e no mistério. O segredo e o mistério lhe dão uma beleza especial.

Assim, os senhores vêem que na Igreja Católica, mestra de todas as formas de beleza, de verdade e de bondade que se possam relacionar com a religião. Os senhores vêem na Igreja isso de muito bonito: como os senhores vêem no rito Latino, como os senhores vêem no rito Melquita, que vários dos senhores freqüentam, a elevação se dá na presença de todos os fiéis. O padre de costas – elevação, digo mal, transubstanciação – pronuncia as fórmulas da transubstanciação e uma vez operada a transubstanciação ele ergue as espécies consagradas para serem adoradas pelos fiéis. Ele faz isso de costas para os fiéis. Ele, portanto, faz a coisa publicamente, porque todo mundo vê, se bem que não de frente para os fiéis.

Havia, portanto, um ligeiro segredo, porque aquele momento venerável e único, em que o sacerdote vai pronunciar aquelas palavras mais poderosas do que tudo quanto se passa na natureza, aquelas palavras por onde se opera a transubstanciação; aquele momento em que a alma sacerdotal não quer ser vista por ninguém, não quer ser analisada por ninguém, em que a relação é apenas entre o sacerdote e as sagradas espécies, a hóstia e o vinho, depois as sagradas espécies, naquele momento convém a ele estar fora dos olhos de todos, que ao menos a sua face e o seu gesto estejam fora dos olhos de todos; se bem que ele comunica a todos elevando o vinho e a hóstia para – o vinho… o sangue e o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo – para serem adorados.

Mas, de um modo geral o ato é público. Há uma publicidade que salva a intimidade do padre. Mas é publicidade.

* Versus populum, missa sem mistério

É diferente da missa celebrada versus populum, em que aquilo não tem mistério nenhum! Em que todo mundo vê, pode analisar a cara do padre, pode fotografar, a coisa fica completamente entregue aos olhares mais indiscretos e das pessoas – infelizmente é o que in concreto se passa – e das pessoas mais indecentemente vestidas.

* Liturgia oriental acentua o mistério

Mas, em alguns ritos orientais faz-[se] uma coisa diferente. Os senhores no rito Melquita terão notado que há um dossel sobre o altar. E terão notado, que ligando uma coluna à outra, há uns varais de metal. Em alguns ritos Orientais colocam cortinas ali. E quando vai ser a consagração, o coroinha se levanta e corre todas as cortinas, e ninguém vê o que se passa lá. Apenas, pelo toque da sineta, se sabe que está havendo a transubstanciação e se adora. É um mistério especial.

Ora, os senhores não negarão que se é claramente feio que não haja mistério nenhum. Uma publicidade com um mínimo de mistério é bonita. Mas os senhores não negarão que lhes é agradável saber, que a mesma Igreja Católica, em outras ocasiões celebra isso no mistério, em outros ritos celebra isso no mistério. E eu tenho certeza, que se eu perguntasse aos senhores, se no domingo que vem querem assistir uma missa onde vai correr a cortina, num rito Oriental, onde se correrá a cortina; eu tenho certeza que a totalidade ou quase totalidade dos que estão aqui presentes, levantariam o braço em sinal de que gostariam de assistir a cerimônia.

* Mistério evoca realidade invisível

Por que? Os senhores poderiam ver, mas o mistério faz-nos ter uma idéia de algumas realidades invisíveis. A falta de mistério nos mostra o visível. O mistério nos dá o contacto com algo de invisível, de algo absolutamente superior. E nisso tem uma beleza maior do que aquilo que não tem mistério.

Então à noite, a luz da lua, tão propícia para as coisas misteriosas: luz clara, luz alva, mas luz no meio das sombras e que não elimina as sombras, e que é familiar com todos os mistérios, que ilumina de um modo amigo todos os mistérios, de maneira que mais eles ficam praticáveis do que desvendados.

Essa luz entrando pelo vitral dá às figuras dos santos no vitral uma espécie de presença ao mesmo tempo fantástica e irreal, mas bela, que na solidão da igreja, que se torna assim misteriosa, está fechada, ainda toma seu realce.

É impossível que alguns dos senhores aqui, não tenha às vezes entrado numa igreja inteiramente vazia e não tenha sentido um certo mistério, porque a igreja está vazia.

* O mistério agrada à alma

A título de curiosidade, os que sentiram isso levantem o braço? Os senhores estão vendo, a totalidade. É impossível que os senhores não tenham sido tocados por esse mistério e não tenham pensado: “Que lindo mistério, como é belo o mistério, como eu gostaria de estar aqui espreitando esse mistério sem decifrá-lo, vivendo com ele, sem ver claramente nele; como isso convém à minha alma”. Quantas vezes os senhores terão sentido isso.

 

Posição da TFP sobre a missa nova, e o estudo de A. Xavier da Silveira – Plinio Corrêa de Oliveira

https://gloria.tv/post/91ApuSaJV9Be6bS3CnRyzHHGF

22-6-1984 CCEE

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2019/07/20/posicao-da-tfp-sobre-a-missa-nova-e-o-estudo-de-a-xavier-da-silveira-plinio-correa-de-oliveira

Posição da TFP sobre a missa nova, a relação com Dom Arns, e o estudo de Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira. Dr. Paulo Britto, diretor do Mensário Catolicismo até 2018, também formou a comissão.

Livro citado de Arnaldo V. Xavier da Silveira:
https://www.traditioninaction.org/Questions/WebSources/B_612_AX-Port.pdf

Mais sobre esse tema: https://cruciferos.wordpress.com/2020/06/10/o-direito-de-saber-plinio-correa-de-oliveira-folha-de-s-paulo-25-01-1970/

História de Dr. Plinio e a missa nova: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/01/drplinio-profetico-contra-as-inovacoes.html

Áudio editado SEM GRITINHO JOANISTA, COMO TUDO NO CANAL.

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Para palavras desconhecidas, ver glossário https://cruciferos.wordpress.com/glossario/

Significado das Siglas https://cruciferos.wordpress.com/significado-das-siglas-das-fontes/

Santa Bibiana, rogai por nós!

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Então aqui tem uma pergunta:

“Diante da crise post-Conciliar, como um verdadeiro católico deve ser? E quais devem ser seus sentimentos pelo fato de a verdadeira missa tradicional, o culto mais sagrado de nossa religião, instituído pelo próprio Deus, já não é o mais oficialmente celebrado em nenhuma diocese do mundo”?

A razão é de uma tristeza enorme. Ela motiva um ato de reparação permanente diante de Deus Nosso Senhor, diante de Nossa Senhora pelo que ocorre. Mas é preciso não ficar nisto. É preciso nós nos empenharmos em assistir a missa do ordo de São Pio V, a missa como ela deve ser. Esta é a posição que nós tomamos. É a posição que eu tive a ocasião, com o devido respeito, de levar ao conhecimento do meu arcebispo, que é o cardeal Arns, que era a posição não oficial da TFP, porque a TFP pelos estatutos não entra nisso, mas era a posição pessoal da totalidade dos membros da TFP. E ele ouviu isto com muita cordura, com muita gentileza, eu dei a ele um estudo sobre a missa que foi feito por uma pessoa que pertencia à TFP, eu dei a ele um estudo sobre a missa para ele, e pedi a ele um diálogo com a Sagrada Hierarquia a respeito do assunto.

Ele muito amavelmente declarou que ele concederia o diálogo e a comissão se constituiu. Dessa comissão fizeram parte o autor desse estudo, o Dr. Paulo Brito que está aqui presente, o diretor do Catolicismo, e, do lado da cúria 3 sacerdotes. Essa comissão reuniu-se na sede do Reino de Maria, umas duas ou três vezes, não me lembro bem. Ao cabo de algum tempo a comissão não se reuniu mais. E nós sabemos porque não se reuniu. Era um justo motivo: É que dos três membros da comissão, 2 eram sacerdotes que se casaram. E eu não tive coragem de tocar no assunto tão desagradável escrevendo ao arcebispo. Fiquei na espera de que ele tomasse a iniciativa de completar a comissão e de continuar o diálogo. Ele não completou, não me movi. O fato concreto é que a comissão não se reuniu mais. Mas nossa atitude é conhecida dele, não é uma atitude clandestina, não é uma atitude inconfessada, é uma atitude conhecida dele.

Quando, anos depois, eu sofri – eu depois não o vi mais – quando anos depois eu sofri o desastre de automóvel cujos efeitos os senhores constatam quando me vêem andar, quando eu sofri esse desastre de automóvel, uma das primeiras visitas que eu recebi no hospital foi do cardeal Arns.

As mais fundas divergências existem entre nós, é evidente. Mas é com esta cortesia e com esta elevação de vistas que ele tem conduzido as relações dele, no que diz respeito a mim. E, ao mesmo tempo que eu afirmo, portanto, esse desacordo, eu cumpro um dever mostrando qual é a linha que ele tem seguido nesse ponto.

Agora, além disso, alguma coisa?

Sim. Sempre que é possível, procuramos persuadir alguém de assistir a missa segundo o ordo, etc., etc., porque é obrigação do católico, individualmente, fazer apostolado. É o que nós podemos fazer no momento. Se pudermos fazer mais alguma coisa, fa-lo-emos, dentro de nossa finalidade e de nossos estatutos, com entusiasmo. Como católicos, individualmente, com entusiasmo. No momento são as tais limitações, não temos outra coisa para fazer. Fazer o quê? Não temos outra coisa para fazer.