What is the TFP? Why the name Tradition, Family and Propriety? – Plinio Corrêa de Oliveira (video)

1-6-1982 ENT no Êremo do Praesto Sum.

Dr. Plinio (1908-1995) foi um advogado, catedrático de história na PUC-SP e autor de inúmeros livros, traduzido para diversas línguas. Mais conhecido por ter presidido a TFP, associação de inspiração católica que inspirou outras similares em inúmeros países.

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Significado das Siglas https://cruciferos.wordpress.com/significado-das-siglas-das-fontes/

Santa Bibiana, rogai por nós!

***

We have the pleasure of listening to Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, the founder and President of the Brazilian Society for the Defense of Tradition, Family and Property, TFP. Prof. de Oliveira is a know catholic thinker, and journalist, former congressman and author of the study that has had worldwide repercussions “What Does Self-Managing Socialism mean for Communism, a Barrier or a Bridgehead? Our first question for Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, is: Professor, how would you define the TFP and its objectives?

A TFP é fundamentalmente uma família de almas e é também uma família de associações autônomas e co-irmãs. Essas associações todas são associações cívicas que tem, portanto, como finalidade atuar no campo temporal. O objetivo especial é de combater a penetração do socialismo e do comunismo na sociedade contemporânea, o que elas fazem pelos processos que mais adiante serão indicados.

Este combate se faz inspirado pela doutrina tradicional da Igreja Católica, de maneira que embora sendo uma associação cívica ela tem uma inspiração doutrinária católica.

Professor, can you explain to us why the name Tradition, Family and Propriety was selected as the name of your organization?

Por uma razão que decorre de muita reflexão e muita observação dos fatos. Houve tempo em que o perigo socialista, o perigo comunista – mais especialmente o perigo comunista – consistia na possibilidade da sublevação de grandes massas de trabalhadores famintos e revoltados contra a classe alta considerada como fruidora de bens que não tocavam a ela.

Nessas condições, o problema da repressão a uma agressão física era um problema fundamental do anticomunismo. Mas, passou a ser verdade que o comunismo foi perdendo, com o tempo – na sua propaganda internacional – ele foi perdendo com o tempo esse caráter agressivo, que o espírito dos povos ocidentais foi rejeitando. E com isso ele se tornou cada vez mais ideológico. Ele passou do comunismo revolucionário, nós passamos para o comunismo polêmico. Isto ainda antes da II Guerra Mundial.

E então os doutrinadores comunistas apresentavam a doutrina comunista claramente, com seus argumentos, e definiam os campos. Alguém é comunista e alguém é anticomunista, mas já não recorriam tanto à violência.

Correspondeu a esse período a organização da reação anticomunista que era de tipo fascista e nazista. Então eram as grandes arregimentações de multidões anticomunistas que procuravam fazer face à dialética comunista por meio de uma dialética anticomunista, de uma oratória especial e de uma teatralogia especial anticomunista também. E quando os comunistas procuravam fazer desordens e fazer algum caos para reprimir a ação fascista ou nazista, eles empregavam a violência.

Mas a violência era um elemento também, nessa primeira fase do fascismo e do nazismo, um elemento ainda colateral diante já da parte mais importante que era a oratória, as grandes concentrações e a capacidade de entusiasmar as multidões dos oradores do tipo Hitler e Mussolini.

Pense-se o que se pensar a respeito deles – eu pessoalmente os combati e não me arrependo disso, acho que andei bem – pense-se o que pensar a respeito deles, continua evidente que o comunismo, nesse período, se apresentava já muito mais como dialético e polêmico e muito menos como violento.

Terminada a II Guerra Mundial, a tática do comunismo mudou porque as disposições da opinião pública mudaram também. Quer dizer, o comunismo passou a ser objeto de um horror internacional por causa da brutalidade e da dureza do regime. E o comunismo sentiu a necessidade de dar uma dianteira na propaganda a todo um sistema novo que era da propaganda ideológica sim, mas uma propaganda velada e não declarada. Uma propaganda ideológica que não se fazia, fazia menos pelo maquinismo do Partido Comunista do que por partidos para-comunistas (o socialismo nos seus vários matizes, as redes dos inocentes-úteis, dos criptos-comunistas etc.), que sem tomar um ar diretamente comunista espalhavam idéias que preparavam para o comunismo.

E não era só o espalhar idéias. Era produzir a transformação da sociedade de maneira que cada vez mais a sociedade burguesa atual se parecesse com a sociedade comunista que elas querem implantar.

Então, declínio da violência – salvo em casos excepcionais aos quais eu me referirei daqui a pouco – declínio da violência, declínio do proselitismo declarado, proselitismo velado, utilização de uma mudança da morfologia, da forma social para se aproximar cada vez mais do comunismo: essas são as diferenças específicas do aspecto novo do comunismo.

O papel da violência aqui qual é? Não é diretamente a violência para impor o comunismo, mas é em certas populações muito sedentárias, muito tradicionais, a violência serve para sacudir a opinião pública e dar-lhe uma idéia de sua própria instabilidade. De maneira que as sociedades não comunistas percam a confiança em si mesmas.

As guerrilhas que durante algum tempo se espalharam pela América do Sul foram isso. A TFP uruguaia tem um livro muito interessante que mostra que os tupamaros – famosos tupamaros violentos – não foram senão um show para criar essa situação de instabilidade na sociedade burguesa.

Ora, nesta caminhada lenta, nesta transformação lenta da sociedade para o comunismo, dois meios foram empregados: atacar gradualmente a tradição, a família e a propriedade – de um lado. De outro lado, estabelecer, fazer do socialismo uma esperança de convergência entre os dois mundos de maneira a eliminar as devidas lutas e preparar uma grande paz internacional e social.

Então a TFP nasceu quando isto começava a ser assim, e julgou dever constituir-se desde logo como uma sociedade de defesa imediata da tradição, da família e da propriedade, porque aí se dá a luta contra o socialismo, é o socialismo que ataca essas instituições para que se chegue ao comunismo.

E então, a trincheira socialista e as artimanhas socialistas, são o alvo que a TFP tem em vista para combater o comunismo.

Esta é a razão pela qual a TFP foi constituída assim: entidades cívicas, de fundamento ideológico-religioso para combater o socialismo, mantendo a tradição, e a família e a propriedade e desta maneira deter o passo do comunismo.

Dr. Plinio prevê que a perda do poder da TFP será por FALTA DE RADICALIDADE

20-06-1991 Palavrinha.

Dr. Plinio foi um advogado, catedrático de história na PUC-SP e autor de inúmeros livros, traduzido para diversas línguas. Mais conhecido por ter presidido a TFP, associação de inspiração católica que inspirou outras similares em inúmeros países.

Prevê um sucessor seu que acabará com a influência da TFP.

“Sempre mais medo de ter faltar de radicalidade, do que exagerar a radicalidade. A tendência é faltar com a radicalidade. É muito mais cômodo”.

Áudio editado SEM GRITINHO JOANISTA, COMO TUDO NO CANAL.

Mais sobre esse tipo de previsão de Dr. Plinio: http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/03/drplinio-preve-o-desmantelamento-da-tfp.html

Transcrição: https://cruciferos.wordpress.com/2020/09/24/dr-plinio-preve-que-a-perda-do-poder-da-tfp-sera-por-falta-de-radicalidade

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Para palavras desconhecidas, ver glossário https://cruciferos.wordpress.com/glossario/

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2020/06/13/dr-plinio-preve-que-a-perda-do-poder-da-tfp-sera-por-falta-de-radicalidade

Significado das Siglas https://cruciferos.wordpress.com/significado-das-siglas-das-fontes/

Santa Bibiana, rogai por nós!


“[a perda do] poder da TFP dar-se-á por culpa nossa, ou por muita força que o adversário adquira sem culpa nossa.


Eu acho difícil que se dê sem culpa nossa porque se nós formos muito fiéis, muito fiéis, muito fiéis, eu não posso imaginar que escape das nossas mãos o poder.


Bem, pode ser que também a infâmia dos adversários (aliás, acontece sempre) os ajudará a conquistar o poder. Mas a culpa principal será nossa.


No que que haverá essa culpa? Fundamentalmente, tem que ser o seguinte: o desejo de não estar em um estado de ruptura com o mundo, mas pelo contrário estar em um estado de harmonia e de paz, ter o bem-estar de estar de acordo com todo mundo.


Esse bem-estar os homens o conquistam quando eles estão de acordo com os defeitos do mundo, e portanto, será um estar de acordo que começará por não estar tão em desacordo (…).


Depois dizer que, afinal de contas, não se pode atacar assim, sem mais nem menos. Depois acabar tomando o lado do mundo. Há certa altura dessa queda, perdemos o poder.


É possível que apareça um sucessor meu que diga que a situação já não é a mesma, que não se pode combater o mundo como outrora, que nós seremos fechados, como foram os jesuítas no século XVIII, os templários no século XV, e que por isso nós temos que fingir estar de acordo com o mundo, umas infâmias dessas.


Mas a partir do momento em que a gente abandone a perfeita radicalidade, nós teremos começado a cair. Minha questão é a radicalidade perfeita, que não dê margem para nada. Esse é o negócio.

[Alguém pergunta algo]

Tem que haver muito cuidado e sempre mais medo de ter falta de radicalidade, do que exagerar a radicalidade. A tendência é faltar com a radicalidade. É muito mais cômodo!

Isso que a gente não deve aceitar, não deve se pautar.

[Alguém pergunta algo]

Eu tomei o hábito… logo que começou a minha vida de Contra-Revolucionário, eu sentia tendência a não ser radical. “Não, eu vou ser católico, etc, etc, mas não vou levar a coisa além de certo limite, porque a vida se torna insuportável para mim se eu for além de certo limite”.

Mas eu me dei conta imediatamente que se eu não fosse até o último ponto, eu estava liquidado. Então, o único jeito possível era eu ir até o último ponto da radicalidade, dentro do limite que permite a Igreja. Não ser mais radical que a Igreja manda. Mas tudo que ela manda, chegar escrupulosamente até o último ponto da radicalidade.

Outra coisa é o seguinte: chegar logo, não deixar para amanhã, porque se eu deixar para amanhã, eu posso perder a força, perder a coragem. Então, fazer hoje, e fazer logo, e fazer por inteiro. Quebrar as pontes do retorno. Ou se preferir, queimar os navios que voltam para a terra da não-radicalidade.

Então, cenas que eu contei para vocês de rezar a Via-Sacra durante a missa elegante de São Paulo daquele tempo, e cem coisas que eu fazia que deixavam as pessoas aturdidas de radicalidade minha. E que, por assim dizer, me impediam de mudar depois de mudar de atitude. Eu tinha queimado os navios. 

É o que aconselho a todos os meus filhos.

Quando eu, por exemplo, quero que vocês aparecem aqui de hábito, quando vem outro parente de vocês, acho que primo de vocês, foi por causa da radicalidade”

Dr. Plinio Corrêa chora comentando a crise na Igreja

7-06-1978 Aniversário de Batismo

…essa é a atitude de minha alma, em todos os minutos, em todos os segundos…ter ela inteiramente em minha alma.

Dr. Plinio foi um advogado, catedrático de história na PUC-SP e autor de inúmeros livros, traduzido para diversas línguas. Mais conhecido por ter presidido a TFP, associação de inspiração católica que inspirou outras similares em inúmeros países.

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2020/09/24/dr-plinio-correa-chora-comentando-a-crise-na-igreja/

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Para palavras desconhecidas, como Bagarre, ver glossário https://cruciferos.wordpress.com/glossario/

Significado das Siglas https://cruciferos.wordpress.com/significado-das-siglas-das-fontes/

Santa Bibiana, rogai por nós!

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Entretanto, inesperadamente para mim, e a despeito de minha placidez habitual, essa emoção veio, veio inteira, a tal ponto que eu tive que me conter, quando ouvi referência a um “varão católico, apostólico, romano”… Porque é o que eu quero ser!… é filho da Igreja! E se eu amo tanto a mamãe é porque ela me conduziu à Igreja. E se eu amei a ela até o fim, é porque eu até o fim a examinei e até o fim eu notei que nela tudo conduzia à Igreja Católica. Mas meu amor… é à Igreja! E eu quereria dos senhores exatamente que nesta festa, que é exatamente uma festa de comunicação de almas, que é uma festa em que os senhores agradecem a Nossa Senhora o dom… que eu amo desmedidamente que é de pertencer à Igreja, recompensa demasiadamente grande que me foi dada antes de eu merecer, que os Srs. quisessem a Igreja Católica como eu quero…

O tempo vai indo, a idade vai crescendo, a “Bagarre” vai chegando… Meus caros, há vários aqui eu conheço há trinta anos, conheço há mais do que trinta anos. Eu calculo mal os tempos e as distâncias. Eu conheço talvez há quarenta anos… A esses todos continuamente eu não tenho feito outra coisa senão dizer: “Amai a Santa Igreja Católica Apostólica Romana!”… Aquela Igreja a quem amo tanto, que fico até incapaz de falar sobre Ela. E simplesmente ao Lhe pronunciar o nome, eu já sou incapaz de dizer depois o mundo de elogios e de amor que em minha alma existe…

Este é um momento de emoção. Mas esta é a atitude de minha alma em todos os dias, em todos os minutos, em todos os instantes: é procurar com os olhos a Igreja Católica, estar imbuído do espírito d’Ela, tê-lA dentro de minha alma, ter-me inteiro dentro d’Ela. E se Ela for abandonada por todos os homens, na medida em que isto seja possível, sem que Ela deixe de existir, tê-lA inteira dentro de mim. Mas viver só para Ela, de tal maneira que eu possa dizer, ao morrer: “Realmente, eu fui um varão católico e todo apostólico, romano! Romano e romano! Apesar de todas as misérias e todas as tristezas que a palavra “romano” possa apresentar.

A TFP luta contra o fascismo desde a década de 30 – Plinio Corrêa de Oliveira

23-1-1991. Entrevista telefônica ao Correio Braziliense.

Dr. Plinio foi um advogado, catedrático de história na PUC-SP e autor de inúmeros livros, traduzido para diversas línguas. Mais conhecido por ter presidido a TFP, associação de inspiração católica que inspirou outras similares em inúmeros países.

Veja também: https://cruciferos.wordpress.com/2020/06/12/mussolini-e-o-nazismo-plinio-correa-de-oliveira-em-legionario-15-05-1938-n-296/

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TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2020/09/18/a-tfp-luta-contra-o-fascismo-desde-a-decada-de-30—plinio-correa-de-oliveira/

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Santa Bibiana, rogai por nós!

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A TFP, entretanto, percorre, nesse sentido, o Brasil inteiro, o que explica um fato que é record: a TFP tendo a mídia quase toda fechada para ela, entretanto é uma das organizações mais conhecidas do Brasil. O Sr. conversa com qualquer pessoa na rua, numa grande cidade como São Paulo ou Rio, ou numa Caixa Prego qualquer como as há tantas em nosso território, não encontrará um lugar onde não haja gente que não conheça a TFP.

C.B. – Agora, Dr. Plinio, com todo o respeito, a TFP é uma entidade – isso desde criança eu ouço e as pessoas ouvem – conhecida como de extrema-direita, reacionária, fascista, que defende os regimes autoritários e antipopulares. A TFP é tudo isso mesmo? 

PCO – Que idade o Sr. tem?

C.B. – 33 anos. 

PCO – Bem, 33 anos. A TFP tem mais ou menos 30 anos. O Sr. seria mais ou menos gêmeo da TFP. Antes do Sr. existir, já a TFP existiu sob a forma de um grupo cujos membros escreviam sucessivamente em dois órgãos católicos. O primeiro deles foi o semanário Legionário, oficioso da Arquidiocese de São Paulo, do qual eu fui diretor. Depois, esse jornal fechou-se, e começou-se a editar um  mensário chamado Catolicismo, do qual eu fui continuamente colaborador.

Em um e outro órgão, mas sobretudo no Legionário, mantivemos uma guerra acesa contra o nazimo e contra o fascismo. Se o Sr. quiser, vindo a São Paulo, pode procurar essas publicações em nossa coleção.

Além disso, há teses elaboradas e defendidas em Universidades, que se referem a essa luta contra o nazi-fascismo. Esses pesquisadores universitários nos têm procurado. E nós lhes franqueamos de bom grado as coleções que documentam nossa história. E em suas conclusões eles reconhecem que nós combatemos arduamente o fascismo e o nazismo.

Nessas condições, somos exatamente o contrário do que se diz. Apesar disso, essa mentira continua a circular or-ga-ni-za-da-men-te.

Sobre anti-clericalismo na TFP – Plinio Corrêa de Oliveira

 

https://gloria.tv/post/4oMa3vsjJ8ZM6HmgkNkZY9YhT

26-01-1985 CCEE Auditório com mais de 1500 pessoas

Não mencionado diretamente, Dom Antônio de Castro Mayer teve suas acusações refutadas, pois ao romper com a TFP em 1984, chamou-a de desobediente à hierarquia. Três anos depois, em ato público de desobediência à hierarquia nas sagrações de Êcone, D. Mayer foi excomungado junto com D. Marcel Lefebvre.

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2020/07/26/sobre-anti-clericalismo-na-tfp-plinio-correa-de-oliveira

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Santa Bibiana, rogai por nós!

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Uma piedade que para sobreviver precisa fazer uma idéia falsa da Igreja, esta é uma falsa piedade, evidentemente. De maneira que, de vez em quando, é preciso referir coisas dessas.

Quando elas se tornam freqüentes numa época, é preciso dizer que elas são freqüentes. E quando acontece que maus lobos podem fazer mal para as ovelhas, eles são lobos que estão disfarçados com pele de ovelha, a gente tem que puxar a pele de ovelha e gritar: “Este é um lobo”.

Nos anos 40 começou a atual crise religiosa no Brasil. Ela já tinha começado na Europa, começou a fazer-se sentir no começo dos anos 40 no Brasil. Essa crise religiosa vem descrita num livro que a notícia e a documenta inteiramente, e contra a qual tudo se sussurrou e nada se escreveu, porque não houve coragem para isso. Esse livro se chamou: “Em Defesa da Ação Católica” e o autor tem o prazer de lhes dirigir a palavra, neste momento.

Nesse livro, o erro essencial que nós denunciávamos era o seguinte: a nova corrente sustentava que a Ação Católica era independente do clero; que os presidentes da Ação Católica dirigiam a ação católica, mas que o clero tinha só a função de uma certa vigilância, porque tinha chegado a hora da maioridade dos leigos e que, por isso, era preciso emancipar os leigos do clero.

Como hoje há fazendeiros comunistas, havia naquele tempo padres que queriam a entrega e, mais do que padres, havia bispos favoráveis à diminuição e eliminação do poder do clero em favor dos leigos. E nós nos levantamos, aquela ocasião contra isto. Sofremos uma verdadeira perseguição a favor do seguinte princípio, enunciado no livro  claramente, com uma citação de S. Pio X: que a Igreja é uma sociedade de desiguais, que Ela é constituída da Hierarquia e dos fiéis. A Hierarquia constitui na Igreja a parte docente, governante e santificante  –  os fiéis constituem a parte discente, governada e para ser santificada. Esse caráter hierárquico da Igreja era  exatamente o traço que se queria apagar.

Como se pode, depois da TFP ter entrado num verdadeiro ostracismo porque defendeu essa tese  –  a TFP… aquele que um dia seria o fundador da TFP  –  como se pode então, razoavelmente, suspeitar esta organização de querer exatamente o contrário? Fingindo ignorar que na espinha dorsal da história da TFP está esta epopéia pela luta do princípio da hierarquia na Igreja Católica?

De 1943 a 1985 podem muitas coisas mudar, dirá alguém  –  “o Senhor pensou assim naquele tempo, mas depois não pensou assim…”  Minha resposta é: – Aponte uma linha, aponte uma palavra, aponte um gesto, aponte um fato que seja desmentido do que eu disse naquele tempo!

Na realidade, o que se passa é o seguinte: é que inúmeras vezes, diante da apatia de nosso bom povo, da credulidade de nosso bom povo, diante da indiferença com que ele ia se deixando levar pelo erro, diante do fato de serem poucos os eclesiásticos que lutavam contra isto que é uma devastação da Igreja…  –  Paulo VI falou da “fumaça de satanás” penetrando na Igreja, ele falou da autodemolição da Igreja.

O que é a autodemolição da Igreja senão a demolição da Igreja pela Hierarquia? A autodemolição da Igreja é a demolição da Igreja por si mesma. E ela é tão hierárquica que nunca ela faz alguma coisa quando sua Hierarquia não faz e, portanto, se há uma autodemolição são elementos de sua Hierarquia que a estão destruindo. Isto a TFP o denunciou e o denuncia.  Se isto é ser anticlerical, então, eu pergunto: o que é ser clerical? É fechar os olhos e permitir que essa demolição vá e destrua a Igreja e o clero? Isso é ser clerical? Francamente: onde está a cabeça?

 

* * *

(Pergunta: Qual a melhor resposta quando acusarem a TFP de anticlerical?)

Uma pergunta que vem mais adiante e que eu tenho medo de não chegar até lá e quero tratar da pergunta agora. Essa pergunta põe o seguinte:

“Que eu não sou anticlerical, mas que várias pessoas mais moças da TFP são anticlericais. Prova: é que essas pessoas têm indiferenças, tem agastamentos, tem dificuldades com sacerdotes tradicionalistas; então, se elas tem essas dificuldades com sacerdotes progressistas e também com sacerdotes tradicionalistas tem com o clero inteiro.”

Eu tenho vontade de rir diante de uma coisa dessas. Essa pessoa foi perguntar quais são esses sacerdotes tradicionalistas com os quais um ou outro jovem da TFP possa se ter mostrado agastado? Ela foi perguntar o que é que eles pensam da TFP e o que é que eles dizem da TFP?

Inexplicavelmente, alguns tantos dentre eles a quem reconheço o mérito de sua posição tradicionalista, a quem eu não acuso de nada, eu digo simplesmente que é inexplicável essa situação. E quando a gente diz de um homem que aquilo que ele faz e com que a gente não está de acordo é inexplicável, a gente faz de um modo direto um elogio, porque se ele não valesse nada era explicável. Então, eu digo que é inexplicável que tenham uma sanha anti-TFP cuja argumentação nunca me foi dado conhecer, nunca soube porquê.

Já me dispus várias vezes a um diálogo, à uma conversa, vamos ver porque, digam o que é que há  –  e a conversa não sai, o diálogo não sai. Na minha dificuldade de movimentos, eu me ofereci a ir, com a minha idade, à cidade aonde eles moram, a uma das principais cidades aonde eles moram, para conversar quando quiserem, indique a data! Não sei a coisa. A conversa não sai!

Eu falo com fogo, mas falo com calma. Estou medindo cada uma das minhas palavras e sei que elas correspondem ao que a minha mente e meu coração querem. É assim!

Agora, vem outro lado da questão  –  eu poderia a esse argumento responder à minha amável consulente o seguinte: esses tem toda a razão nisso? Um juízo muito severo a respeito dos costumes de nossos dias  –  costumes que são adotados por uma imensa maioria dos homens contemporâneos. É um dos traços bonitos da formação sacerdotal e da atuação sacerdotal deles a luta contra esses costumes contemporâneos. Está bom, eles lutam contra esses costumes contemporâneos de algo que, grosso modo, se poderia chamar (grosso modo, é claro!) a totalidade do laicato católico.

Depois, aparecem leigos que estão na posição oposta e procuram viver nos bons costumes ensinados pela Igreja Católica, eles são também contra. Então, eles são contrários ao laicato? Seria uma pergunta tão estúpida que eu nunca faria. Com o devido respeito, eu digo: eu não vejo razão de ser para a pergunta paralela se nós somos contrários ao clero. São perguntas que não tem sentido!

Pessoas que falam que a TFP não é católica – Plinio Corrêa de Oliveira

 

https://gloria.tv/post/VSEJ93ymzrYs6bPKp1G4MTSwA

7-09-1984 CCEE

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2020/07/25/pessoas-que-falam-que-a-tfp-nao-e-catolica-plinio-correa-de-oliveira

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Santa Bibiana, rogai por nós!

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Agora, Dona Vera, de Santo André. Está presente Dona Vera?  Bom, algum dos senhores leva a resposta a Dona Vera.

(FA: – É Yara.)

Ah, Yara, de São André. Está presente. Dona Yara?

Bem, como a pergunta dela é de interesse geral, eu respondo, os senhores depois levam ao conhecimento dela a pergunta.

(Ela está aqui.)

Ah, ela está aqui. Pois não, Dona Yara.

“Conheço a TFP faz pouco tempo, mas sou totalmente a favor, pois através dela recuperei a minha fé católica…

Isso para os meus ouvidos é uma harmonia, é uma música, que valeria a pena eu ter nascido e viver até a idade em que eu vivi, para poder apenas ter feito isto: ajudado uma pessoa a recuperar a Fé Católica.

(Aplausos)

… e gostaria de aprofundar-me mais e faço as seguintes perguntas:

Porquê as pessoas com quem converso insistem em afirmar que a TFP não é católica? Qual é a melhor maneira de provar que somos católicos, apostólicos, romanos realmente?”

São duas perguntas: Porquê dizem isso da TFP, uma pergunta. Outra pergunta é como provar que somos católicos.

A 1ª pergunta, por quê que as pessoas com quem Dona Yara conversa dizem que não somos católicos. É porque Dona Yara conversa com as pessoas que dizem que nós não somos católicos. Quer dizer, provavelmente, Dona Yara tem oportunidade natural de contato freqüente com gente que está influenciada pela esquerda católica, e a esquerda católica diz isso de nós, como nós dizemos deles o contrário, quem não são católicos são eles.

Uma vez que nós estamos em desacordo a respeito de como interpretar a religião católica, cada lado tem que achar que a interpretação do outro é falsa. Não tem por onde escapar.

Agora, por que eles dizem isso com tanta insistência? Eles dizem isso com insistência porque como eles querem levar para o lado deles os que são católicos, então eles têm que dizer, para os que seguem a nossa orientação, que nós não somos católicos. É uma coisa que é natural.

Agora, como é que nós provamos que nós somos católicos? É uma coisa muito simples. Dona Yara, se quiser, toma um número de “Catolicismo”, ou se quiser nós arranjamos uma coleção dos principais livros que nós temos publicado, e apresenta para essas pessoas, diz: “Olha aqui, se eles não são católicos eles estão perdidos, porque os loucos escreveram uma série de livros e publicam um jornal. E, se tem aqui uma coisa que não é católica, vocês esmaguem a eles! Levem para o cardeal condenar. O cardeal que publique: Eles cometeram tal erro, que está assim em tal página do livro. E nós esmagamos a eles. Vamos acabar com eles?”

Veja a cara que eles fazem. “Não, não é isso propriamente, é de outro jeito, é de outro lado…” passam de lado. Por quê? Nunca nós escrevemos um livro que não fosse um livro tão católico que não houvesse nada que dizer contra ele.

O primeiro livro que eu escrevi se chama “Em Defesa da Ação Católica”, foi no ano de 1943. Eu tinha, portanto, 34 anos. Lá vai tempo. Esse livro denunciava esses erros que estão se infiltrando agora no movimento católico. Houve verbalmente um boato de que meu livro continha erros, um boato colossal, ocupou o Brasil inteiro. Organizado, boato organizado.

Eu fiquei quieto, porque naquele tempo eu não escrevia ainda para nenhum jornal, eu era ainda moço e não tinha relações que me habilitassem a escrever para um jornal. Não tinha defesa.

Dois ou 3 anos depois, realizou-se uma reunião de todos os Bispos do Brasil no Rio de Janeiro. Eu escrevi uma carta a eles. Mandei entregar um por um. E um bispo que estava lá e que era amigo meu – ele já morreu há muitos anos, Dom José Maurício da Rocha, bispo de Bragança Paulista, aqui – Dom José Maurício da Rocha levantou-se na reunião e disse: – “Dr. Plínio Corrêa de Oliveira escreveu a todos nós uma carta aqui. Eu vou ler essa carta”.

E na carta eu dizia: “Eu peço que Vossa Excelência digam se meu livro tem algum erro. Se V. Excelências apontarem o erro e estiver convencido que é erro, eu estou disposto a fazer penitência de vela benta na mão do Largo da Sé! Se VV. Excelências apontarem um erro que eu achar que não é erro, eu estou disposto a recorrer ao papa – era Pio XII naquele tempo, um papa da linha justa – se o papa disser que há erro, eu faço penitência de vela na mão, ao meio dia, no Largo da Sé, ajoelho-me e faço penitência diante de todo mundo. Agora, se não tem erro, digam! Porque não se pode permitir uma calúnia dessas num país inteiro contra um homem. Eu peço justiça.”

Dom Maurício da Rocha me contou, que um dos arcebispos mais contrários ao livro começou a chorar, durante a reunião. Então perguntaram a ele: “Mas porquê está chorando?”

Por causa desse golpe do Plínio, porque, como eu fui contra o livro dele, se o livro dele for julgado pelos senhores, eu sou julgado também, e é uma injustiça me julgar a mim mesmo”.

Mas como! É uma injustiça? Ele não disse que o livro estava errado? Ele deve querer saber se está certo ou errado. Se ele errou, faça penitência ele. A qualidade dele de bispo não dá direito a ele a sustentar o erro, ele até tem mais que fazer penitência do que eu, porque ele é mestre e eu não sou. O bispo é o mestre do católico. Ele, portanto, tem que fazer penitência.

Ficaram com pena dele, não disseram nada.

Algum tempo depois, eu entrei numa fila de ônibus na Praça Patriarca, estava esperando ônibus, e veio um padre, cujo nome não quero mencionar, e me disse: “Dr. Plínio, eu vim de Roma e trouxe uma carta para o senhor, o senhor recebeu?”

Eu disse: “Não. Não recebi.”

Ele disse: “É pena, porque me deram em Roma uma carta, a carta é do Vaticano e era para o senhor. É pena, o senhor não recebeu, mas o quê que a gente pode fazer, nosso correio é ruim mesmo”.

Eu disse: “Mas padre, o senhor traz uma carta do Vaticano para mim e o senhor põe no nosso correio que o senhor diz que é ruim? Meu telefone está na lista, por quê o senhor não me avisou pelo telefone? Eu ia à sua casa, pegava a carta. Com uma carta de responsabilidade não se faz isso, padre!”

“É, quem sabe se eu fiz mal. Até logo Dr. Plínio.”

Eu fiquei muito desconfiado e mandei dizer para um amigo que eu tinha no Vaticano, que uma carta do Vaticano tinha se extraviado para mim. Daí a pouco, uns 20 dias ou um mês depois, esse amigo me telefona: “Olha, você sabe, tem uma carta dirigida ao senhor, aqui, mas essa carta veio do Vaticano e foi dirigida para o meu endereço”.

Eu em dois minutos estava lá.

Era uma carta escrita em nome de Pio XII elogiando o livro. Publiquei etc., etc., Ninguém mudou de atitude, continuaram na mesma. Essas são as coisas.

Então, como provar que a nossa doutrina é a católica? É essa, Nosso Senhor, quando um homem o injuriou, quando Ele estava sendo julgado, e depois Lhe deu uma bofetada – Nosso Senhor tinha falado uma coisa, o homem deu uma bofetada – Nosso Senhor deu a ele essa resposta: “Se eu disse mal, diz-me no quê; se eu não disse, por quê me esbofeteias?”

Nós também. O senhor diz que a TFP não é católica, diga no quê. Se não diz, porque fala mal dela?

É o que tem que dizer. Ele se encosta na parede. Está claro Dona Yara?

(Está)

“A Política de Distensão do Vaticano com os Governos Comunistas. Para a TFP: omitir-se? ou resistir?”

H8ikMpEw0iUsAAAAABJRU5ErkJggg== 1105×615Publicado em 21 jornais de 10 países.

“Folha de S. Paulo”, 10 de abril de 1974

I – OS FATOS

O povo paulista tomou conhecimento, ontem, dos resultados da viagem a Cuba, de Monsenhor Casaroli, secretário do Conselho para os Assuntos Públicos do Vaticano. Esses resultados, enunciou-os o próprio dignatário, em uma entrevista (cfr. “O Estado de São Paulo” de 7 do corrente). Asseverou S. Excia. que “os católicos que vivem em Cuba são felizes dentro do regime socialista”. Não seria preciso dizer de que espécie de regime socialista se trata aí, pois é conhecido que o regime vigente em Cuba é o comunista.

Sempre falando do regime Fidel Castro, S. Excia. continua: “os católicos e, de um modo geral, o povo cubano, não têm o menor problema com o governo socialista”.

Desejando talvez dar a estas declarações estarrecedoras certo ar de imparcialidade, Mons. Casaroli lamentou entretanto que o número de Sacerdotes fosse insuficiente em Cuba: apenas duzentos. Acrescentou ter pedido a Castro maiores possibilidades de praticar cultos públicos. E terminou asseverando muito inesperadamente que “os católicos da ilha são respeitados em suas crenças como quaisquer outros cidadãos”.

Para não considerar senão o que desde logo se nota nestas declarações, causa perplexidade que Mons. Casaroli reconheça que os católicos cubanos sofrem restrições em seu culto público, e ao mesmo tempo assevera que eles são “respeitados em suas crenças”. Como se o direito ao culto público não fosse uma das mais sagradas de suas liberdades.

Se os súditos não católicos do regime cubano são tão respeitados quanto os católicos, é o caso de dizer que em Cuba ninguém é respeitado…

No que consiste então essa “felicidade” de que segundo Mons. Casaroli, fruem os católicos cubanos? Parece que é a dura felicidade que o regime comunista dispensa a todos os seus súditos: a de curvar a cabeça. Pois Mons. Casaroli assevera que “a Igreja Católica cubana e seu guia espiritual procuram sempre não criar nenhum problema para o regime socialista que governa a ilha”.

Mais em profundidade, as observações que o alto dignitário do Vaticano colheu de sua viagem conduzem a conclusões de maior tom.

Numa época em que S.S. Paulo VI tem realçado, mais do que nunca, a importância da normalidade das condições materiais da existência, como fator propício à prática da virtude, não é concebível que Mons. Casaroli considere “felizes dentro do regime socialista” de Fidel Castro os católicos cubanos, se estes estão imersos na miséria. De onde devemos deduzir que, segundo Mons. Casaroli, eles gozam de condições econômicas pelo menos suportáveis.

Ora, todos sabem que isso não é real. E, mais ainda, os católicos que tomam a sério as Encíclicas de Leão XIII, Pio XI e Pio XII, sabem que não o pode ser, pois estes Papas ensinaram que o regime comunista é o oposto da ordem natural das coisas, e a subversão da ordem natural – na economia como em qualquer outro campo – só pode trazer frutos catastróficos.

Assim, os católicos de qualquer parte do mundo, que sejam ingênuos ou mal informados da verdadeira doutrina social da Igreja, se lerem os resultados do inquérito que Mons. Casaroli fez em Cuba, serão conduzidos a uma conclusão oposta diametralmente à realidade. Isto é, que nada têm a temer da implantação do comunismo nos respectivos países, pois nessa hipótese serão perfeitamente “felizes”, quer no que diz respeito aos seus interesses religiosos, quer em sua situação material.

Dói dizê-lo, mas a verdade óbvia é esta: a viagem de Mons. Casaroli a Cuba desfechou numa propaganda da Cuba fidelcastrista.

Este fato, terrível em si mesmo, é um lance na política de distensão que o Vaticano vem operando, de há muito, em relação aos regimes comunistas. Vários desses lances são muito conhecidos do público

Um deles foi a viagem realizada à Rússia em 1971 por S. Eminência o Cardeal Willebrands, Presidente do Secretariado para a União dos Cristãos. O objetivo oficial da visita era assistir à posse do Bispo Pimen no Patriarcado “ortodoxo” de Moscou. Pimen é o homem de confiança, para assuntos religiosos, dos ateus do Cremlin. Em si, a visita era altamente prestigiosa para o prelado heterodoxo, a justo título considerado a “bête noire” de todos os “ortodoxos” não comunistas no mundo inteiro. Discursando no Sínodo que o elegeu, Pimen afirmou a nulidade do ato pelo qual, em 1595, os ucranianos reverteram do cisma para a Igreja Católica. Isto importava em proclamar que os ucranianos não devem estar sob a jurisdição do Papa, mas dele Pimen e de seus congêneres. Em lugar de tomar atitude diante dessa clamorosa agressão aos direitos da Igreja Católica, e da consciência dos católicos ucranianos, o Cardeal Willebrands e a delegação que o acompanhava se mantiveram mudos. Quem cala, consente, ensina o direito romano. Distensão…

Como é natural, essa capitulação traumatizou profundamente aqueles dentre os católicos, que acompanham com seguida atenção a política da Santa Sé. Outra foi ainda maior entre os milhões de católicos ucranianos esparsos pelo Canadá, pelos Estados Unidos e outros países. E teve relação com as dissensões dramáticas entre a Santa Sé e sua Eminência o Cardeal Slipyj, valoroso Arcebispo-mor dos ucranianos, durante o Sínodo de Bispos, realizado em Roma em 1971.

Vista em seu conjunto, a conduta de S. Eminência o Cardeal Silva Henriquez, Arcebispo de Santiago, constitui outro lance da distensão com os governos comunistas, promovida pela diplomacia vaticana. Como é notório – e a TFP chilena o demonstrou em lúcido manifesto reproduzido por vários órgãos da imprensa brasileira – o Purpurado chileno deitou o peso de toda a influência da autoridade inerente a seu cargo para auxiliar a ascensão de Allende ao poder, sua pose festiva nele, e sua manutenção na primeira magistratura até o momento trágico em que o líder ateu se suicidou. Com uma flexibilidade que não concorre para dar boa idéia dele, o Emmo. Cardeal Silva Henriquez procurou ajustar-se, por meio de algumas declarações públicas, à ordem de coisas que sucedeu ao regime Allende. Porém, as manifestações de sua constante simpatia para com os marxistas chilenos nem por isso cessaram. Ainda há pouco, S. Emcia. celebrou Missa de réquiem na capela de seu Palácio Cardinalício por alma de outro comunista, o “camarada” Toha, ex-ministro de Allende, aliás também ele um infeliz suicida. Ao ato, compareceram familiares e amigos do morto (cfr. “Jornal do Brasil” de 18/3/74).

Por esse conjunto de atitudes, tão próprias a aproximar do comunismo os católicos, não consta que o purpurado tivesse sofrido a menor censura. Se houve quem imaginasse que ele perderia sua Arquidiocese, esperaria em vão até agora. O Cardeal Silva Henriquez continua tranqüilamente investido na missão de conduzir a Jesus Cristo as almas de sua populosa e importante Arquidiocese.

Enquanto ele a conserva, por injunções da política de distensão, outro Arcebispo, pelo contrário, perdeu a sua. Trata-se de uma das figuras mais empolgantes da Igreja no século XX, cujo nome é pronunciado com veneração e entusiasmo por todos os católicos fiéis aos tradicionais ensinamentos econômicos e sociais emanados da Santa Sé. Mais ainda, o nome desse prelado é acatado com sumo respeito por pessoas das mais variadas religiões. Ele é um florão de glória da Igreja aos olhos até dos que nela não crêem. Este florão foi quebrado há pouco. O Emmo. Cardeal Mindszenty foi destituído da Arquidiocese de Esztergom, para facilitar a aproximação com o governo comunista húngaro.

Como se vê, a visita de Mons. Casaroli a Cuba – ainda abstração feita da entrevista que deu depois de haver deixado a ilha – se inscreve como elo de uma cadeia de fatos que vêm de há anos. Onde terminará esta cadeia? Para que surpresas dolorosas, para que novos traumas morais devem ainda preparar-se os que continuam a aceitar, em todas as suas conseqüências, a imutável doutrina social e econômica ensinada por Leão XIII, Pio XI e Pio XII? Estamos certos de que incontáveis católicos ao reler estas notícias, ao tomar conhecimento das perplexidades, das angústias e dos traumas expressos nestas linhas sentirão retratados o seu próprio drama interior: o mais íntimo e mais pungente dos dramas, pois que acima, muito acima de versar apenas sobre questões sociais e econômicas, tem cunho essencialmente religioso. Diz respeito ao que há de mais fundamental, vivo e terno na alma de um católico apostólico romano: sua vinculação espiritual com o Vigário de Jesus Cristo.

II – CATÓLICOS APOSTÓLICOS ROMANOS

A TFP é uma entidade cívica, e não religiosa. Seus diretores, sócios e militantes são, entretanto, católicos, apostólicos e romanos. E, em conseqüência, católica é a inspiração que os tem movido em todas as campanhas pela TFP empreendidas em bem do País.

A posição fundamentalmente anticomunista da TFP resulta das convicções católicas dos que a compõem. É porque católicos, é em nome dos princípios católicos, que os diretores, sócios e militantes da TFP são anticomunistas. A diplomacia de distensão do Vaticano com os governos comunistas cria, entretanto, para os católicos anticomunistas, uma situação que os afeta a fundo, muito menos enquanto anticomunistas do que enquanto católicos. Pois a todo momento se lhes pode fazer uma objeção supremamente embaraçosa: a ação anticomunista que efetuam não conduz a um resultado precisamente oposto ao desejado pelo Vigário de Jesus Cristo? E como se pode compreender um católico coerente, cuja atuação ruma em direção oposta à do Pastor dos Pastores? Tal pergunta traz como conseqüência, para todos os católicos anticomunistas, uma alternativa: cessar a luta, ou explicar sua posição.

Cessar a luta, não o podemos. E é por imperativo de nossa consciência de católicos que não o podemos. Pois se é dever de todo católico promover o bem e combater o mal, nossa consciência nos impõe que defendamos a doutrina tradicional da Igreja, e combatamos a doutrina comunista.

O mundo contemporâneo ressoa por toda parte com as palavras “liberdade de consciência”. São elas pronunciadas em todo o Ocidente, e até nas masmorras da Rússia… ou de Cuba. Muitas vezes essa expressão, de tão usada, toma até significados abusivos. Mas no que ela tem de mais legítimo e sagrado se inscreve o direito do católico, de agir na vida religiosa, como na vida cívica, segundo os ditames de sua consciência.

Sentir-nos-íamos mais agrilhoados na Igreja do que o era Soljenitsin na Rússia soviética, se não pudéssemos agir em consonância com os documentos dos grandes Pontífices que ilustraram a Cristandade com sua doutrina.

A Igreja não é, a Igreja nunca foi, a Igreja jamais será tal cárcere para as consciências. O vínculo da obediência ao Sucessor de Pedro, que jamais romperemos, que amamos com o mais profundo de nossa alma, ao qual tributamos o melhor de nosso amor, esse vínculo nós o osculamos no momento mesmo em que, triturados pela dor, afirmamos a nossa posição. E de joelhos, fitando com veneração a figura de S.S. o Papa Paulo VI, nós lhe manifestamos toda a nossa fidelidade.

Neste ato filial, dizemos ao Pastor dos Pastores: Nossa alma é Vossa, nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe.

III – A SOLUÇÃO, NO APÓSTOLO SÃO PAULO

Sim, Santo Padre – continuamos – São Pedro nos ensina que é necessário “obedecer a Deus antes que aos homens” (At. V, 29). Sois assistido pelo Espírito Santo e até confortado – nas condições definidas pelo Vaticano I – pelo privilégio da infalibilidade. O que não impede que em certas matérias ou circunstâncias a fraqueza a que estão sujeitos todos os homens possa influenciar e até determinar Vossa atuação. Uma dessas é – talvez por excelência – a diplomacia. E aqui se situa a Vossa política de distensão com os governos comunistas.

Aí o que fazer? As laudas da presente declaração seriam insuficientes para conter o elenco de todos os Padres da Igreja, Doutores, moralistas e canonistas – muitos deles elevados à honra dos altares – que afirmam a legitimidade da resistência. Uma resistência que não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão.

“Resistência” é a palavra que escolhemos de propósito, pois ela é empregada nos Atos dos Apóstolos pelo próprio Espírito Santo, para caracterizar a atitude de São Paulo. Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga Sinagoga, São Paulo viu nisto um grave fator de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levantou-se então e “resistiu em face” a São Pedro (Gal. II, 11). Este não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos. No sentido em que São Paulo resistiu, nosso estado é de resistência.

E nisto encontra paz nossa consciência.

IV – RESISTÊNCIA

Resistir significa que aconselharemos os católicos a que continuem a lutar contra a doutrina comunista com todos os recursos lícitos, em defesa da Pátria e da Civilização Cristã ameaçadas.

Resistir significa que jamais empregaremos os recursos indignos da contestação, e menos ainda tomaremos atitudes, que em qualquer ponto discrepem da veneração e da obediência que se deve ao Sumo Pontífice, nos termos do Direito Canônico.

Resistir, entretanto, importa em emitir respeitosamente o nosso juízo, em circunstâncias como a entrevista de Mons. Casaroli sobre a “felicidade” dos católicos cubanos.

Em 1968, o Santo Padre Paulo VI esteve na próspera capital colombiana, Bogotá, para o 39º Congresso Eucarístico Internacional. Discursando um mês depois, de Roma para o mundo inteiro, afirmou que ali havia visto a “grande necessidade daquela justiça social que coloque imensas categorias de gente pobre (na América Latina) em condições de vida mais equânime, mais fácil e mais humana” (discurso de 28/9/68).

Isto, no Continente em que a Igreja goza da maior liberdade.

Pelo contrário, Mons. Casaroli não viu em Cuba senão felicidade.

Diante disto, resistir é anunciar com serena e respeitosa franqueza, que há uma perigosa contradição entre essas duas declarações, e que a luta contra a doutrina comunista deve prosseguir. Eis um exemplo do que seja a verdadeira resistência.

V – PANORAMA INTERNO DA IGREJA UNIVERSAL

É possível que para alguns leitores brasileiros a presente declaração traga surpresa. É que, relutando ao máximo em tomar a atitude pública que hoje assumimos, a TFP não divulgou quanto de desconcerto e de inconformidade lavra entre católicos dos mais variados países em razão da distensão do Vaticano com os governos comunistas. E alongaria por demais este já extenso documento fazê-lo aqui. Cingimo-nos a resumir, a título de mais cabal explicação de nossa atitude, o que se passa presentemente entre os católicos germânicos. Disse-o no “Correio do Povo” de Porto Alegre (23/3/74) o ex-deputado federal alemão Hermnan M. Goergen, católico de pensamento e conduta serenos.

Refere ele o lançamento de dois livros de autores germânicos, sobre a política do Vaticano: “Wohim sterert der Vatikan?” (Para onde vai o Vaticano?), de Reinhard Raffalt, e “Vatikan Intern” (O Vaticano interno), publicado sob o pseudônimo de “Hieronymus”. Ambos encontraram tal ressonância que “estão na ordem do dia dos intelectuais e políticos alemães”. O Sr. Goergen considera a obra de “Hieronymus” satírica, hiper-crítica e exagerada. Pelo contrário, acha a de Raffalt, “sóbria”, com “teses bem fundamentadas”, inspiradas “em profundo amor à Igreja”. E Raffalt proclama: “O Papa Paulo VI é um socialista”.

O Sr. Goergen acrescenta que, pouco depois da divulgação da obra de primeira qualidade de Raffalt, um jornal alemão publicou uma caricatura mostrando Paulo VI a passear em companhia de Gromiko. Ao passarem por um quadro exibindo o Cardeal Mindszenty, Gromiko disse a Paulo VI: “Pois é, cada um tem seu Soljenitsin”.

Informa ainda o Sr. Goergen que um jesuíta alemão, Simmel, publicou no tradicional semanário “Rheinischer Merkur”, “conservador e defensor intransigente da Fé e dos Papas, uma crítica considerada por Roma até irreverente”, com o título: “Não, Senhor Papa!”. Afirma ainda o Sr. Goergen, a propósito da destituição do Cardeal Mindszenty: “Uma verdadeira onda de apoio (ao Cardeal) percorreu os católicos alemães”. A “Frankfurter Allgemeine Zeitung” falou abertamente dos “sonhos cristão- marxistas” do Papa Paulo VI. E a “Paulus Gesellschaft” (Sociedade de Paulo), porta-voz do diálogo entre cristãos e marxistas, condenou a “Ostpolitik” do Vaticano, denunciando-a como “maquiavelística” por querer “impor ao mundo uma paz romano-soviética”. Diante desta linguagem, mais facilmente ressalta quanto é comedida a da TFP.

Não podemos encerrar nosso comentário ao artigo do Sr. Hermann Goergen, sem ressaltar uma grave afirmação feita por este: Na Polônia como na Hungria, na Tchecoslováquia e na Iugoslávia, os contatos e acordos com a Santa Sé não impediram que continuasse intensa a perseguição religiosa. Também o afirmou, no tocante à sua pátria, o Cardeal Mindszenty.

Isto nos leva a uma perplexidade. A perspectiva de uma atenuação da luta anti-religiosa era o grande argumento (insuficiente a nosso ver) dos entusiastas da distensão vaticana. A prática mostra que tal distensão não alcança esse resultado, e favorece só a parte comunista. Cuba é um outro exemplo disto. E um autorizado promotor da distensão, como Mons. Casaroli, declara que, no regime de perseguição os católicos vivem felizes. Perguntamos então se distensão não é sinônimo de capitulação.

Se o é, como não resistir à política de distensão, apresentando-lhe de público o enorme desacerto?

É mais um exemplo de como entendemos a resistência.

VI – RÉPLICAS EVENTUAIS

Não é o caso de tratar aqui de outros assuntos que talvez sejam levantados de público a propósito da presente declaração. Referimo-nos mais especialmente a episódios dolorosos como o do Sr. Bispo de Nova Friburgo, que determinou a recusa da Comunhão Eucarística a sócios ou militantes da TFP, quando se apresentassem de modo notório, incorporados ou com as respectivas insígnias, bem como a fatos mais ou menos análogos ocorridos em igrejas de outros locais do Brasil.

Em artigo publicado na “Folha de S. Paulo” de 27/5/73, o Presidente do Conselho Nacional da TFP, teve ocasião de explicar que em certa matéria de índole essencialmente religiosa, sócios e militantes de nossa entidade têm – enquanto católicos – uma atitude tomada, sobre a qual só não se pronunciaram de público a pedido de altíssima autoridade eclesiástica.

Se as circunstâncias o indicarem, explicarão eles, – no uso da liberdade religiosa de que felizmente gozam, porque no Brasil não venceu o comunismo – qual a natureza do assunto e o fundamento de sua posição.

VII – CONCLUSÃO

Esta explicação se impunha. Ela tem o caráter de uma legítima defesa de nossas consciências de católicos, ante um sistema diplomático que lhes tornava irrespirável o ar, e que aos católicos anticomunistas coloca na mais penosa das situações, que é a de se tornarem inexplicáveis perante a opinião pública. Repetimo-lo, a título de epílogo, ao encerrar esta declaração.

Nenhum epílogo entretanto seria completo se não incluísse a reafirmação de nossa obediência irrestrita e amorosa não só à Santa Igreja como ao Papa, em todos os termos preceituados pela doutrina católica.

Nossa Senhora de Fátima nos ajude neste caminho que trilhamos por fidelidade à Sua mensagem e na alegria antecipada de que se cumprirá a promessa por Ela feita: “Por fim, o meu Imaculado coração triunfará”.

São Paulo, 8 de abril de 1974

Salve Maria!

Destacado

Site continuação do canal “Reino da Virgem Maria” que de 2013-2017 postou mais de 200 diversos áudios de Plinio Corrêa de Oliveira falando sobre variados assuntos.

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Reino de Maria (desde 2014 no Gloria.TV): http://gloria.tv/user/K14bxVssNm7

A ação da TFP no Concílio Vaticano II – Plinio Corrêa de Oliveira

https://gloria.tv/post/ziBLsXCMzCQX21osXedKHu7jy

2-VI-1984 CCEE

TRANSCRIÇÃO: https://cruciferos.wordpress.com/2019/07/20/a-acao-da-tfp-no-concilio-vaticano-ii-plinio-correa-de-oliveira

Para saber mais sobre a atuação de Dr. Plinio do Concílio Vaticano II
http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/06/atuacao-da-tfp-e-de-drplinio-no.html

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Áudio editado SEM GRITINHO JOANISTA, COMO TUDO NO CANAL.

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Para palavras desconhecidas, ver glossário https://cruciferos.wordpress.com/glossario/

Significado das Siglas https://cruciferos.wordpress.com/significado-das-siglas-das-fontes/

Santa Bibiana, rogai por nós!

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“Qual foi a atuação do senhor no Concílio para evitar ou diminuir a catástrofe”?

Há um principio que diz que a história, para ser feita, precisa um certo recuo de tempo. Não se faz uma história dos acontecimentos muito recentes. Um homem, quanto aos acontecimentos muito recentes, pode escrever a sua biografia. Mas para fazer o histórico de um conjunto de uma situação, é preciso que passe o tempo.

Assim como, por exemplo, para ver um quadro é preciso uma certa distância  –  se eu puser os meus olhos muito perto do quadro, eu não verei bem; assim também para ver o passado é preciso uma certa distância do tempo. Eu posso dizer o que a TFP fez durante o Concílio. Há uma coisa disso que ainda é cedo para contar. Isto faz parte da história. Ainda é cedo.

Bem, a TFP, eu me lembro que nós estávamos numa reunião da TFP, numa Semana de Estudos da TFP quando veio um jornal vespertino que imediatamente foi comprado e trazido para dentro da sala de reuniões, anunciando que João XXIII tinha convocado o Concílio.

Fazia-nos a honra de presidir a mesa naquele tempo um arcebispo que, com Dom Antônio de Castro Mayer, comigo e com o economista Mendonça de Freitas escreveu o livro RAQC. Ele fazia a honra de presidir a mesa. Eu li rapidamente e passei por debaixo para ele, porque nós brasileiros, sabemos que somos muito espevitados. E que se essa reunião caísse durante a reunião, desarticulava a reunião completamente. Os comentários, as perguntas, o que é que vai acontecer, etc., etc., ia tudo pelos ares.

Ele, jeitoso, também dobrou o jornal assim, leu por debaixo da mesa e não comentamos nada. Mas os espíritos estavam prognosticando duas coisas diferentes.

Ele contou que quando ele leu aquilo ele teve um verdadeiro alívio e pensou: “Agora está tudo resolvido, porque o Papa convoca o Concílio e acerta a cabecinha de todos os bispos. E daí vai sair a posição certa para Igreja no mundo inteiro”. Alívio.

Eu, pelo contrário, tive a impressão que eu teria se eu vivesse no tempo de Luís XVI, o rei [da França do tempo] da Revolução Francesa, quando Luís XVI convocou os Estados Gerais, de cuja a reunião decorreu, em última análise a Revolução Francesa.

Havia um alto nobre da corte francesa que estava lendo o decreto de convocação dos  Estados Gerais afixados numa parede. A imprensa era muita atrasada naquele tempo e os decretos reais eram colocados na parede, nos muros, etc., e tinham arautos proclamando também. E esse nobre parou diante de uma parede que tinha esse decreto. E passou alguém perto dele e perguntou: “Sr. Duque, o que é que está pensando disso”?

Ele olhou e disse: “Eu estou pensando em que punição Luís XIV, o rei forte da França, teria dado a quem lhe aconselhasse de convocar estes Estados Gerais”.

Aquela convocação foi a debandada de uma Revolução que não se estancou até agora. Foi se agravando, como os senhores sabem, deu no que está agora. A revolução a conciliar, a meu ver, foram os Estados Gerais da Igreja.

Para, o quanto possível, assistir a Santa Igreja nessa emergência, com dificuldades financeiras, com dificuldades operacionais, e tudo e tudo, nós da TFP constituímos um secretariado em Roma e nos mudamos, transferimos para lá, na primeira sessão do Concílio, talvez umas 10 pessoas da TFP. Uma expedição tão completa que levamos até móveis de bonita apresentação para recebermos condignamente os prelados, ou as personalidades eminentes que nos fossem visitar. Levamos até um contador para fazer a contabilidade do que lá se gastasse, levamos tudo. E passamos lá durante todo o tempo da primeira sessão, durante 3 meses.

Durante esse tempo eu percebi desde logo que eram pouquíssimos os olhos que estavam abertos para aquela situação, pouquíssimos. O príncipe Dom Bertrand deu-nos a alegria de estar conosco e está acenando com a cabeça, porque ele viu isso. Eram pouquíssimos os que estavam com os olhos abertos para isso. Os bispos eram os pedidos em seminários, seminários, em geral, nos arredores de Roma, conventos muito grandes ou seminários. Então tinham todos os bispos de uma ação, hospedados naquele seminário.

Quando chegava a ora do Concílio, ia um ônibus, enchiam os ônibus de bispos e iam à Basílica do Vaticano. Lá ele se paramentavam e participavam do Concílio. Depois eles eram levados pelos ônibus para os seminários ou para os conventos de novo e ficavam inteiramente isolados.

Mas eu, querendo ver se furava m um pouco a barreira, se conversava com algum, se abria um pouco um pouco os olhos não só eu mas outros amigos meus – fomos com uma ou outra razão a um outro seminário, a um outro convento para falar com eles. Nós os pegamos assim, nos intervalos, tão amáveis, tão despreocupados, tão contentes que a gente via que eles não tinham noção de demolição em que estavam empenhados. Havia uma espécie de impossibilidade de dizer alguma coisa a eles, uma verdadeira impossibilidade.

Nós, em pouco tempo compreendemos que não havia o que fazer. Nós fomos a primeira sessão e não voltamos para a segunda.  Porque, com exceção de muito poucos, bispos, os outros tinham o otimismo e a despreocupação a mais completa.

O que fizeram esses poucos bispos? O que eu sei é que todo o mundo sabe. Os discursos que estão na sala conciliar. Eu tive uma tal tristeza com essa situação que eu resolvi não voltar mais para o Concílio. E acabou-se. A participação da TFP no Concílio foi essa.